quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Why Not Comics? #6 - Os Vingadores: De Zero a Herói

SIM, o WN Comics? ainda faz parte desse blog. SIM, eu ainda existo. 

Já faz um pouco mais de um mês que eu não apareço por aqui e eu sei que isso é chato, mas é que a vida tá difícil. De qualquer forma, eu continuo lendo meus quadrinhos e, consequentemente, continuo com vontade de escrever sobre eles. E nessa semana eu finalmente consegui o tempo pra isso. UHUL. 

Ah sim, antes de mais nada, eu queria dedicar esse parágrafo pra dizer que eu finalmente assisti Guardiões da Galáxia no fim do mês passado (acompanhado do Adler, do Nick e da Debora ♥) e esse é o filme mais foda da história da Marvel, ok? Ok. Aliás, essa declaração polêmica repercutiu tanto que o Adler fez questão de me gravar ainda dentro do cinema repetindo isso incessantemente. 

Agora vamos ao que interessa: o tema do post de hoje. Pra compensar minha ausência, fiz um post bem grandinho, com bastante informação e com um tema bem massa: os filhos de Stan Lee, adotados carinhosamente por Joss WhedonOS VINGADORES (ai que emoção).


Pelo amor de Odin, cliquem nessa imagem, ampliem e se deleitem com essa arte do Marko Djurdjaujhsreuiayeiauuvic

Era uma vez os Heróis Mais Poderosos da Terra. Um grupo que reunia os heróis (quase) populares da Marvel. Criados por Stan Lee em 1963, Os Vingadores não foram sempre esse sucesso quase unânime que são hoje ("quase" porque sempre tem os haters, né). E essa paixão que se instaurou aos filmes da Marvel nos tempos atuais, não se deve só ao talento do diretor Joss Whedon. Essa trajetória do sucesso começou lá em 2004, com o careca mais lindo do mundo.

Bom, vamos voltar um pouco no tempo. Supondo que essa ideia (genial) da Marvel Studios tivesse surgido lá nos anos 90. Poderia dar certo? Talvez, apesar de essa ser uma época meio arriscada, principalmente depois dos dois Batman do Joel Schumacher. A questão é que nessa época, ninguém dava uma foda pros Vingadores, amigos. E é justamente por isso que o percursor dessa nova era dos filmes de heróis foi X-Men de Bryan Singer. Mesmo quando não tinham estrelado nenhum filme de respeito, os mutantes já tinham um apelo maior com o público não-virjão. E na verdade, essa foi a realidade da Marvel por bastante tempo. Apesar dos Vingadores terem sagas nos quadrinhos bem memoráveis em seu currículo (como a Guerra Kree-Skrull, por exemplo), os X-Men sempre foram as jóias preciosas da editora. Isso até o começo dos anos 2000, onde a Marvel começou a investir pesado nos mais rejeitados. E foi aí que os Vingadores se tornaram a maior fonte de renda da Casa das Ideias na última década.

Coisa mais linda é esse Capitão
América do Coipel

Depois dos anos 90 os Vingadores tinham caído bastante no conceito dos leitores (quem lê quadrinhos sabe quanta merda rolou nessa época). O fim dos anos 90 e o comecinho dos anos 2000 marcou o começo da virada pra equipe, quando algumas histórias de qualidade finalmente começaram a despontar (amém). Kurt Busiek tentou recuperar a credibilidade dos caras, mas só se deu bem mesmo na mini Avengers Forever. E então foi a vez de Geoff Johns (Lanterna VerdeLiga da Justiça) subir a bordo ao lado de Olivier Coipel (lembra dele?) pra trazer o arco Zona Vermelha. Inclusive, foi nessa época que eu descobri os Vingadores, sendo essa aí uma das primeiras coisas que eu li na Marvel (o que talvez explique meu amor incondicional pela equipe). Eu sou fã pra caralho do Johns, apesar de não curtir muito seus trabalhos mais recentes, mas anyway, recomendo esse arco.

MAS ENTÃO, chegamos ao ponto decisivo. O ponta-pé do sucesso. O beijo de amor verdadeiro que fez a Bela Adormecida acordar (referência meio bizarra essa, né?): Brian Michael Bendis. se vocês forem contar quantas vezes eu já falei aqui que eu amo esse careca, dá pra criar todo um post à parte. 

Reinventando a equipe, Bendis trouxe alguns dos momentos mais lindos dos quadrinhos nos últimos anos em sua run e se tornou um dos maiores nomes dentro da editora.

Enfim, a ideia do post é listar (e recomendar, claro) os melhores momentos dos Vingadores nessa última década, te mostrando como é que os caras excluídos viraram os populares da escola que todo mundo ama e tals. E tudo isso começou com o fim dos Vingadores (*toca música sombria dark Nolan das trevas*).




A QUEDA (Avengers: Dissasemble, 2004)



Como fazer os Vingadores serem legais de novo? Mata todo mundo e já era. Tá, não foi exatamente o que aconteceu, mas a ideia foi mais ou menos essa. 

Um dia como nenhum outro e blá blá blá
Enquanto o Thor tava em Asgard enfrentando o fim do mundo (e morrendo) em Ragnarok, os Vingadores tavam sendo atacados por algo que ninguém esperava: um dos seus próprios membros. A Feiticeira Escarlate surta legal e passa a ter certeza de que teve dois filhos com o Visão (que, caso vocês não saibam, é um robô). O problema é que ela acha que os Vingadores tiraram esses filhos dela e é aí que o surto chega num nível crítico. Atacando a Mansão dos Vingadores, a Feiticeira já mata, logo de cara, Scott Lang, o Homem-Formiga. E ele é só o primeiro na lista: Gavião Arqueiro e Visão morrem também, vítimas de um ataque sem sentido algum, com direito à Ultron, KreesSkrulls e mais uma caralhada de explosões. Tudo isso sendo gerado pelos poderes de manipulação da realidade que a Feiticeira sempre controlou. Depois de toda a treta, os Vingadores acabam se dissolvendo. 

Inclusive, é a partir daqui que surgem os Jovens Vingadores, a equipe que no futuro viria a ganhar meu coração também.

O roteiro do Bendis em A Queda é bem mediano, focando mais na carnificina causada pelo ataque da Feiticeira. A arte do David Finch (Batman) não ajuda muito também, mas esse é, de longe, um dos trabalhos mais suportáveis da carreira dele. 

De qualquer forma, vale mencionar a história aqui por ser o começo de todo um ciclo que se desenrolaria pelos próximos 8 anos de história.


OS NOVOS VINGADORES (The New Avengers, 2005)



Coloquei a arte do Finch aqui porque
não achei nada melhor :/
Eu admito: o segredo pra upar as vendas foi meio apelativo. Deixando apenas dois representantes da equipe anterior (Capitão América e Homem de Ferro), a Marvel deu uma cara completamente nova pro grupo: medalhões como Homem-Aranha e Wolverine passaram a integrar as fileiras dos Vingadores (inclusive, isso aqui vai pra você que faz piadinhas no Facebook, dizendo que o Homem-Aranha não faz parte dos Vingadores e mimimi). 

Além dos quatro, o grupo ainda contava com Luke Cage (mais um personagem desenterrado pelo Bendis e que vai até ganhar série na Netflix), Ronin (who?), Mulher-Aranha e o Sentinela (um análogo ao Superman, favor não confundir com o robô gigante que caça mutantes).

Contando com arte de figurões como Steve McNiven (Guerra Civil), Mike Deodato Jr. (Hulk), Leinil Yu (Invasão Secreta) e outros, além do próprio David Finch, esse aqui é um dos ápices na carreira do careca. E é aqui que começamos a ter indícios do plano maior que Bendis tinha em mente para os Heróis Mais Poderosos da Terra.



DINASTIA M (House of M, 2005)



Voltando aos problemas da Feiticeira Escarlate: exilada e sendo vigiada por Charles Xavier e Magneto, Wanda não mostra nenhum sinal de melhora do seu estado mental. E é aí que os Novos Vingadores decidem se unir aos X-Men pra decidir o destino da mutante e ex-Vingadora. O problema é que o Mercúrio é um puta cuzão. Sabendo dos planos dos Vingadores e preocupado com a irmã, o cara decide manipula-la a usar seus poderes ao máximo e acaba criando uma nova realidade, transportando todos os heróis pra lá (eita).


Esse dia foi LOKO.


Nesse novo mundo, os mutantes e super-seres são a realeza do planeta. Magneto é o lider supremo. E todos os heróis tem aquilo que sempre quiseram, pra que não possam interferir na ordem das coisas. O Homem-Aranha, por exemplo, é casado com Gwen Stacy e é um herói aclamado. Ciclope tem uma vida feliz, casado com Emma Frost (o que só é possível de acontecer em um mundo utópico mesmo). Dr. Estranho é um terapeuta feliz, tratando dos problemas psicológicos do Sentinela. O Capitão América é só um tiozinho aposentado vivendo no Brooklin, e assim vai. 

O problema é que, do nada, o Wolverine acorda um dia e se lembra de todo o ocorrido, de como o mundo era antes da Feiticeira mudar tudo. Aí o carcaju se une a uma resistência liderada por Luke Cage e Clint Barton (Gavião Arqueiro ressuscitou \o/) e então vai recrutando a galera, despertando suas memórias da "vida anterior" e se reunindo pra atacar a dinastia de Magneto. 

Ao fim do conflito, mais uma consequência que marcaria a história da Marvel: em outro surto, a Feiticeira devolve a realidade ao lugar, mas extermina o Gene X do planeta, deixando apenas 198 mutantes no mundo (ou seja, praticamente, só os X-Men).

A arte aqui é do Olivier Coipel, mais uma vez. Se você não curtir o roteiro, te garanto que pelo menos a arte é espetacular.



GUERRA CIVIL (Civil War, 2007)



Tá, esse é um evento que rolou com consequências pra todo o Universo Marvel. E nem foi escrito pelo Bendis, a mente genial aqui é a do Mark Millar (WolverineKick-Ass). Mas, querendo ou não, o coração da saga foi os Vingadores (e as consequências maiores foram pra eles também).

Depois de uma série de desastres envolvendo super-humanos, o governo americano decide lançar uma Lei de Registro de Super-Heróis. Ou você se registra, revela sua identidade ao governo e vira capacho da SHIELD ou você é um fora da lei. Apoiando o registro, Tony Stark vira o novo rosto do governo e responsável por caçar os heróis fugitivos. Do outro lado da guerra, tá o Capitão América, liderando a resistência. 


SE ISSO NÃO É LINDO, ENTÃO EU NÃO SEI O QUE É


Legal notar que a saga dividiu quase toda a editora: do lado do Capitão, tinhamos figuras como DemolidorTocha Humana, Mulher InvisívelLuke CageMulher-Aranha e Justiceiro. Acompanhando Tony Stark, estavam o Sr. FantásticoThunderboltsHank PymViúva Negra e o Homem-Aranha. Bom, isso até ele mudar de lado na Guerra, decidir se unir ao Capitão e quase ser assassinado por um grupo de extermínio enviado pela SHIELD. Sim, Guerra Civil foi um dos momentos mais críticos da história da Marvel e eu ainda tenho essa como a minha saga favorita na editora.


No fim da guerra, Steve Rogers acaba sendo preso por Stark e no dia do seu julgamento, é assassinado em um plot bem LOKO elaborado pelo Caveira Vermelha.

Além de ser um dos pontos altos da história da editora (e de toda a vida do Millar), esse é um dos trabalhos mais aclamados do desenhista Steve McNiven. Sério. O negócio é lindo pra caralho. Se nunca leram, façam esse favor a vocês mesmos.



A INICIATIVA (The Initiative, 2007)



A primeira capa que entrou
pra minha coleção atual ♥
Esse aqui, na verdade se trata de um "período" e não exatamente um título em particular. Lidando com as consequências diretas da Guerra Civil, nós tínhamos os dois carros-chefe dos Vingadores liderados por Bendis:

Os Novos Vingadores: com arte de Leinil Yu, o título acompanhava os Vingadores renegados que decidem seguir com o legado do Capitão América. Liderados por Luke Cage, o elenco era formado pelo Homem-Aranha, Punho de FerroDr. Estranho, Mulher Aranha, Jessica Jones e Wolverine. Além disso, Eco passa o seu manto de Ronin para um recém-ressuscitado Clint Barton, que desiste da identidade de Gavião Arqueiro. Na boa? Pra mim é a melhor fase desse grupo. 

Os Poderosos Vingadores (The Mighty Avengers): arte de Frank Cho. Liderados pela Ms. Marvel, o grupo de Tony Stark contava com a Viúva NegraMagnumVespaSentinela e Ares (sim, mano. O FUCKING Deus da Guerra), sendo eles os responsáveis por caçarem os Novos Vingadores. E logo de cara, eles já enfrentaram um Tony Stark possuído pelo Ultron, que acabou virando uma mulher (???). Esse título vale mais por conversar bastante com os Novos Vingadores, formando uma única grande história.

Ah, e durante esse período, recomendo também a leitura do título-solo do Capitão América (escrito por Ed Brubaker). Após a morte de Steve, o título passa a ser carregado pelos coadjuvantes. Falcão, Viúva Negra, Soldado Invernal, Tony Stark e Caveira Vermelha passam a ser o centro do negócio, lidando com a morte do Capitão, até quando Bucky se apossa do escudo e assume o manto do herói (um dos melhores momentos da última década na Marvel, com certeza).



INVASÃO SECRETA (Secret Invasion, 2008)



"Yeah? Well, my god has a hammer"
- Nick Fury
Talvez um dos pontos mais fracos na carreira do careca, Invasão Secreta foi perfeita em seu planejamento e meio cagada na execução. Depois de irem pro Japão tretar com a Elektra, os Novos Vingadores acabam descobrindo que a ninja era, na verdade, uma Skrull infiltrada no submundo japonês. E, com o tempo, descobrem que essa invasão vem acontecendo em grande escala, em toda a comunidade super-heroica. Isso, claro, causa toda uma paranoia. Quem é skrull? Quem é realmente quem diz ser? A paranoia chega aos Poderosos Vingadores de Stark e o bagulho começa a ficar cada vez mais tenso e o leitor fica tenso junto. 

E então, na minissérie com arte de Leinil Yu (mais uma vez), o conflito finalmente explode e chega a todos os cantos do Universo Marvel. Quarteto Fantástico, SHIELD, Vingadores, quase todo mundo tinha sido infiltrado pelos alienígenas (menos os X-Men, cada vez mais excluídos).

A batalha reúne heróis e vilões contra os etês. Até o novo Capitão América e o recém ressuscitado Thor se jogam no meio da treta. A saga também marcou o retorno de Nick Fury, que andava sumido desde Guerra Secreta, agindo nas sombras. Claro que no fim de tudo, o mundo é salvo, mas com aquelas típicas consequências que a Marvel adora colocar ao fim de seus eventos. 

Como eu disse, a preparação de terreno que rolou em Poderosos e Novos Vingadores acabou sendo mais interessante do que o evento em si, mas se você curte um lance BEM blockbuster, Invasão Secreta pode ser uma boa leitura. Eu consigo me divertir bem com essa saga.



REINADO SOMBRIO (Dark Reign, 2009)



A época em que a Marvel parecia um filme do Nolan

Mais uma vez, não se trata de uma publicação, mas sim de um período, onde vários títulos eram publicados sob o mesmo selo. 

Ao fim da invasão Skrull, Norman Osborn (ex-Duende Verde) dá o tiro fatal que mata a imperatriz alienígena e passa a ser aclamado pelo público geral. É claro que não foi assim, do nada. O cara já vinha crescendo no gosto popular desde A Iniciativa, onde liderava os Thunderbolts, uma equipe formada no intuito de reformar ex-vilões (que não deu muito certo).

Osborn se tornou o novo diretor da SHIELD (eita), agora chamada de HAMMER. Além de ter sua própria equipe de Vingadores, Norman também tomou as rédeas do mundo ao lado da Cabala, uma cúpula de super-vilões formada por Dr. Destino, Emma FrostNamorO Capuz e Loki.

Nessa época, as principais publicações eram:


A Cabala de Norman Osborn
(sdds)
Vingadores Sombrios (Dark Avengers): os Thunderbolts de Osborn, assumindo novas identidades: Venom era o Homem-Aranha, Mercenário como Gavião Arqueiro, Rocha Lunar era Ms. Marvel, Daken (o filho de Logan) como Wolverine, Noh-Varr como Capitão Marvel, além dos ex-Poderosos: Ares e Sentinela. A arte aqui era do brasileiro Mike Deodato Jr. e foi o ponto alto da carreira dele, sem dúvida.

-  Os Novos Vingadores: ainda atuando como renegados, agora fugindo do regime de Osborn, a equipe contava com Homem-Aranha, Wolverine, o novo Capitão América, Mulher-Aranha, Ms. Marvel, Luke Cage, Dr. Estranho, Eco, Punho de Ferro, Harpia e Jessica Jones. A arte foi bem rotativa e contou com os nomes de Billy Tan (bleh) e Stuart Immonen (All-New X-Men). 

Outros títulos dignos de leitura nesse período: Guerreiros Secretos (a equipe secreta de jovens fodões liderada por Nick Fury, com roteiro de Jonathan Hickman), Invencível Homem de Ferro (mostrando um Tony Stark acabado e sendo perseguido por Osborn, escrito por Matt Fraction ♥) e Capitão América: Renascimento (mostrando a ressurreição de Steve Rogers, roteiro de Ed Brubaker).



O CERCO e ERA HEROICA (Siege e Heroic Age, 2010)


Sim. Nesse evento nós tivemos DOIS Capitães América: Bucky e Steve.
Cada vez mais descontrolado e agindo sob a influência de Loki, Norman Osborn reúne todo seu poder de fogo e ataca Asgard (!!!). A batalha penderia facilmente pro lado dos deuses, se não fosse por um trunfo de Norman: o Sentinela acaba perdendo controle de seus poderes e cede espaço pro Vácuo, sua personalidade sombria, homicida e com poderes de proporções divinas (rola até um papo do Vácuo ser uma manifestação da ira de Deus, mencionada na Bíblia e tals, uns negócios bem surtados mesmo). Steve Rogers, que também acabou de voltar dos mortos (ninguém morre nessa porra) reúne os Vingadores, Jovens Vingadores e Guerreiros Secretos pra ajudar Thor e seu povo. Tony Stark, que tava se escondendo nas redondezas, também entra na luta. E é aqui que temos a primeira reunião da trindade vingadora desde A Queda: Thor, Capitão América e Homem de Ferro lutando juntos pra derrotar Loki, Osborn e o Vácuo. A arte é do lindo Olivier Coipel.

Shine bright like a diamond ♫
Com a queda de Asgard e o fim do reinado de Norman, Steve se torna o novo diretor da SHIELD e os Vingadores finalmente tem seu lugar ao sol mais uma vez, dando início à Era Heroica. 

Vingadores mantém os roteiros de Bendis, agora com arte de John Romita Jr. (Kick-Ass) e conta com um elenco de peso: Capitão "Bucky" América, Thor, Homem de Ferro, Gavião Arqueiro, Hulk Vermelho (?), Homem-Aranha, Wolverine, Mulher Aranha. Maria Hill emais pra frente, Tempestade.  

Novos Vingadores inicia um novo volume, com arte de Stuart Immonen, adicionando o Coisa e, mais tarde, o Demolidor e a Garota-Esquilo (!) como membros da equipe.

Ainda nesse período, tivemos A Essência do Medo (Fear Itself), saga escrita por Matt Fraction (Gavião ArqueiroSex Criminals), que dividiu muitas opiniões (mas eu gostei, ok?). Essa saga não mudou muita coisa, então só leia se tiver bem afim mesmo.



VINGADORES VS. X-MEN (Avengers vs. X-Men, 2012)


Mais uma saga que dividiu várias opiniões. Essa foi a história que tinha TUDO, absolutamente TUDO pra ser um épico e acabou sendo só mais um monte de gente saindo na porrada. Além do Bendis, os roteiros ainda traziam Jonathan Hickman, Matt Fraction, Ed Brubaker e Jason Aaron (Thor: God of Thunder). Na arte, Adam Kubert (Wolverine), Olivier Coipel e John Romita Jr. Os nomes envolvidos no projeto davam a sensação de algo nunca visto antes e, infelizmente, acabamos apenas tendo mais do mesmo. Não que a saga seja ruim. De certa forma, MUITOS plots da última decada foram fechados aqui. O surto da Feiticeira Escarlate, a dizimação dos mutantes, o lado sombrio que o Ciclope vinha desenvolvendo, o retorno da Força Fênix, tudo isso foi concluído aqui. 


Mais um dia normal no Universo Marvel

O conflito acontece por uma divergência opiniões entre os dois grupos: Ciclope e seus X-Men acreditam que o retorno da Força Fênix pode significar a salvação de sua espécie, um recomeço para os mutantes que agora estão ameaçados de extinção. O Capitão América e os Vingadores enxergam a entidade como um risco para todo o planeta (e eles tavam certos, hein). Aí a treta começa e no fim, o universo Marvel é mudado de novo, e dessa vez, com consequências gravíssimas pros X-Men. 


Com o evento, a Marvel deu início ao projeto Marvel NOW!, zerando todas as suas publicações e entregando os títulos para novas equipes criativas. Os Vingadores acabaram indo parar nas mãos (lindas e maravilhosas) de Jonathan Hickman, enquanto Bendis ficou com os X-Men.



Finalmente, A ERA DE ULTRON (Age of Ultron, 2013)



Sei lá, não gosto do Bryan Hitch não
Planejada para ser o último adeus de Bendis à equipe com a qual trabalhou nos últimos anos, A Era de Ultron acabou sendo adiada por inúmeras vezes e foi "esticada" ao máximo pelos editores, perdendo boa parte de sua qualidade com isso. Sem falar que eu não sou o maior fã do Bryan Hitch (Supremos), que é o responsável por metade da arte da saga. A segunda metade fica por conta de Brandon Peterson (X-Men) e Carlos Pacheco (Ultimate Vingadores).

E não é só na arte que temos essas "metades". A história também passa essa sensação de divisão: na primeira parte vemos um mundo destruído. Ultron já venceu os heróis e dominou o mundo, e logo de cara somos apresentados à uma Nova York toda robotizada, enquanto acompanhamos Clint Barton em uma missão de resgate ao Homem-Aranha. Nenhuma explicação é dada de como chegamos a esse ponto. E então, após passar um bom tempo conhecendo essa nova realidade, chegamos à segunda parte da história: pra tentar salvar o mundo e derrotar Ultron, Wolverine e a Mulher Invisível, partem em uma viagem. O problema é que o Logan fode tudo e cria uma realidade paralela e tudo vira uma mistureba sem muito sentido (e sem muita graça). 

O evento teve até umas ramificações bem bacanas, que ecoaram por todo o universo Marvel e chegaram até ao Universo Ultimate, mas mesmo assim, não é nada digno do próprio Bendis. Foi um fim fraco pra uma passagem marcante na minha vida de leitor, ainda mais quando se trata do trabalho de um dos meus roteiristas preferidos.



Marvel NOW! (traduzido porcamente como "Nova Marvel" no Brasil)


TODO MUNDO É VINGADOR AGORA


Com o sucesso já estabelecido no filme de 2012, a Marvel pôde apostar em uma direção um pouco mais "arriscada" com os personagens. Como eu disse ali em cima, Jonathan Hickman é o novo responsável por reger os personagens. E o cara vem fazendo isso com maestria, ainda que seja num clima completamente diferente do que o que Bendis vinha fazendo. Enquanto o Brian investia em uma abordagem bem "A Grande Família" (em Novos Vingadores era bem comum vermos os heróis sentados à mesa, tomando café da manhã e conversando sobre a vida), Hickman já apostou em suas tramas mais elaboradas e de execução demorada, levando a proporções maiores. Os Vingadores já enfrentaram ameaças de nível cósmico como Thanos (sim, aquele vilão queixudo de Guardiões da Galáxia) e os Construtores (uma das primeiras espécies a habitar o Universo, envolvidos diretamente na criação da vida). Além disso, o rol de membros cresceu exponencialmente aqui: além do núcleo principal vindo diretamente do filme, temos os já veteranos Homem-Aranha, Wolverine, Capitã Marvel, Mulher Aranha e novatos como Míssil, Mancha Solar, Capitã Universo, Smasher, HyperionShang-Shi, Manifold, Ex-Nihilo, Abyss, Nightmask e Star BrandA arte nesse volume já ficou por conta de vários nomes: Mike Deodato, Adam Kubert, Leinil Yu, Jerome Opena (Fabulosa X-Force), Dustin Weaver (SHIELD), Esad Ribic (Thor: God of Thunder) e Salvador Larroca (Invencível Homem de Ferro).


Nós vamos (literalmente) abalar seu
mundinho.
Em Novos Vingadores, também assumido por Hickman na Marvel NOW!, acompanhamos os Illuminati (que também foram criados por Bendis, na Guerra Civil), um grupo de super-humanos influentes que se reúnem pra ditar o destino da comunidade super-heroica. Tony StarkNamorFera, Sr. FantásticoRaio NegroCapitão América e Dr. Estranho são obrigados a enfrentar as Incursões: um evento de escala cósmica, onde planetas Terras de outros universos colidem uns com os outros, fazendo com que o universo ao qual os planetas pertencem sejam destruídos no processo (acho que deu pra você entender, né). Para impedir os tais eventos, o grupo é confrontado com questões morais sobre as suas ações, do tipo: "É válido destruir um outro planeta habitado apenas pra salvar o nosso?". E é justamente nesse título onde as maiores habilidades de Hickman são colocadas em prática. E olha, posso te garantir: o negócio é foda pra caralho. Chego a ficar arrepiado lendo as tretas dos caras. Dessa vez, a arte é de Steve Epting (Capitão América), Mike Deodato (o cara tá em todas), Simone Bianchi (Wolverine) e Valerio Schiti (Jornada ao Mistério).

Ah sim, além desses dois, rolou um boom de títulos dos Vingadores nessa nova fase: tem ainda Jovens Vingadores (uma das melhores coisas que a Marvel publicou em muitos anos, com roteiro de Kieron Gillen e arte de Jamie McKelvie), Avengers Arena (um Battle Royale/Jogos Vorazes com mini-Vingadores, roteiro de Dennis Hopeless), Fabulosos Vingadores (junção de Vingadores e X-Men, lidando com as consequências do conflito entre as equipes, escrito por Rick Remender) e a mais nova Vingadores Secretos (que o Nick já recomendou, por Ales Kot). Tem mais uns ou outros títulos dos Vingadores por aí, mas vou me limitar só a esses. Além, claro, dos títulos solos dos personagens que valem uma chance, como Thor: God of Thunder (Jason Aaron), Gavião Arqueiro (Matt Fraction ♥), Viúva Negra (Nathan Edmondson) e Capitã Marvel (Kelly Sue DeConnick ♥).


--//--

Sugeri coisa pra caralho, né? É claro que você não ter que ler tudo isso (nem eu consigo ler tudo). Sobre as sagas que citei lá pra cima, só recomendo a leitura de absolutamente todas se você tiver realmente afim de conhecer mais sobre a trajetória dos personagens (e se quiser ler histórias muito boas também, porque eu não recomendo coisa ruim HUE). Agora, se tiver com fogo no cu (desculpa) e quiser começar logo, pode pular direto pra Marvel NOW!. Esse é justamente o intuito da iniciativa: facilitar as coisas pra quem tá chegando agora.

E é isso. O bom de eu sumir assim, é que dá bastante tempo pra vocês pensarem e lerem o que eu recomendei. Ou não. De qualquer forma, eu continuo me esforçando pra voltar aqui e escrever esses posts pra vocês <3


Tchau </3

PS: se você entendeu a referência no título do post, tu merece um beijo. E se não entendeu, pelo amor de Deus, vai assistir Hércules agora. AGORA MESMO. 

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