sábado, 5 de julho de 2014

Janu Manjão - Os seriados de cinema

Hey, você!

É, você mesmo aí, sentado na cadeira!

Imagine um mundo totalmente sem internet, como seus pais e avós viviam. Difícil, não é? A rede mundial de computadores se tornou uma parte intrínseca (palavra do dia, anotem aí) de nossas vidas, é praticamente impossível imaginar algo assim.

Agora vá um pouco mais longe: imagine um mundo sem TV. Mais difícil ainda não? Assim como a web, a TV se tornou uma parte enraizada do nosso cotidiano. Mesmo com a qualidade oscilante da programação brasileira, é inegável que, sem ela, nossas tardes de domingo seriam bem mais tristes.

“Mas Januzinho, se não havia nem internet nem TV, como as pessoas faziam pra saber as notícias, se divertir e tudo mais?”

Ora, elas tinham a rádio. Mas se não queriam ter uma tarde de domingo pra baixo, elas iam ao cinema.

Isso sim é o que eu chamo de vintage



Antigamente, por volta do começo do século, cinema era uma diversão barata (pros padrões da época). E ao contrário de hoje, em que os cinemas são apenas para filmes, nessa época, o cinema exibia de tudo. Foi através dele que os americanos conheceram o drama da guerra com os noticiários, foi através dele que as crianças se encantaram e sonharam com os primeiros desenhos animados e foi através dele que os adultos se divertiam com os primeiros seriados. Que é sobre o que falarei hoje.

Os seriados de cinema era basicamente filmes gigantes que eram divididos em vários capítulos e exibidos toda semana junto com um filme. A principal característica desses seriados era terminar sempre com um cliffhanger, um momento de tensão que fazia o espectador ter que esperar até o próximo capítulo para ver como a história do anterior iria terminar.

Os mais famosos, creio eu, eram o de heróis pulp, heróis de tiras e super-heróis. Heróis pulp, pra quem não sabe, eram os protagonistas de histórias das revistas pulp, revistas feitas com um papel barato para ficarem mais baratas e poderem ser feitas em grande quantidade, sendo os mais famosos exemplos o Sombra e Doc Savage. Heróis de tira eram heróis criados para histórias semanais publicadas semanalmente, sendo essas os protótipos dos gibis como conhecemos, sendo os mais notáveis exemplos os heróis espaciais Buck Rogers e Flash Gordon. Super-heróis creio eu não precisam de introdução.

Inclusive, caso vocês não saibam, o primeiro super-herói a ser transformado em um seriado foi o Capitão Marvel! O personagem da Fawcett era o único rival do Superman em revistas vendidas, se tornando imensamente popular durante os anos 40, o que levou a editora a vender os direitos pra um seriado dele para os estúdios Republic, que tentou comprar os direitos do Superman, mas tomou um NO da DC, na época National Comics.

Até que a representação ficou daora, mas o símbolo do trovão no peito
ficou zoado, admito

Eles surgiram durante a era silenciosa e passaram pela transição pra era sonora. Entretanto, colocar sons nos seriados os tornavam bem mais caros. A Grande Depressão também deu uma “filtrada nos estúdios”, poucos conseguiram se manter até o final dessa era.

Esses três estúdios são os que mais se destacaram na opinião geral:

.Universal: um dos primeiro estúdios a fazer seriados, com um foco no cinema de vizinhança, daqueles humildes. Porém, quando conseguiu a licença pra fazer os seriados do Flash Gordon, exprudiu de sucesso, o que fez ele ser exibido em cinemas maiores que não ligavam de exibir as séries. Como era um dos maiores estúdios da época, também tinha grandes nomes de sucesso pra fortalecer a propaganda.

.Republic: um estúdio pequeno, se comparado a outros, porém investiu pesado em efeitos especiais, coreografias de ação e bons roteiristas. Seus seriados são considerados excepcionais até hoje. Além de ter transformado o Capitão Marvel em live-action, também adaptou para as telonas heróis como o Capitão América e o Cavaleiro Solitário.

.Columbia: apesar de ter usado os próprios recursos, terceirizava os produtores. A maioria de seus seriados eram de heróis licenciados, entre eles Superman, Batman, os Falcões Negros, Mandrake, o Fantasma e o Sombra. Suas produções eram comicamente exageradas, até o ponto em que a Columbia começou a fazer mais e mais cortes, o que levou a qualidade das séries a cair. Acabou produzindo o último seriado, Blazing the Overland Trail, em 1956.

Eu já falei que A-M-O esses cartazes old-school?

Os seriados de cinema deixaram um legado inestimável ao entretenimento. George “sem-pescoço” Lucas afirmou que foi inspirado por eles para fazer Star Wars e Indiana Jones.

Muitas produções tentaram usar esse estilo de produções dos seriados após 1956, seja como homenagem, seja como forma de economizar na produção. Um dos exemplos mais claros é Doctor Who (infinitos <3), que utilizava esse formato de capítulos semanais que acabavam em um cliffhanger e se encaixavam em uma história maior durante a Era Clássica.

Sim, eu sou um whovian mesmo, me processe XD

Se você se interessou em conhecer mais sobre essa parte importante da história do cinema, existem diversos seriados em domínio público, então pode baixá-los sem problemas. Outros, como os de super-heróis, foram lançados em DVD e remasterizados, então você também pode baixá-los sem problemas.

E só pra deixar claro, esse “quadro” será bem mais esporádico. Meu foco será sempre o Why Not Play?, mas sempre que me vier alguma oportunidade de esfregar conhecimento na cara de vocês, eu a agarrarei e mostrarei quem é o maioral!


Por hoje é só, pessoal!

Nenhum comentário:

Postar um comentário