sexta-feira, 13 de junho de 2014

Este post não vai ter o título clichê de "dói, um tapinha não dói"

Não foi nem a greve no Metrô, a Copa, Bruna Marquezine ou o último episódio de Game of Thrones que me trouxeram de volta do limbo-limboso do hell pantanoso atômico (um bj Zé Graça). Na verdade, foi a polêmica questão da "Lei da Palmada". Por que? Porque estava morrendo de vontade de voltar a escrever e não tinha nenhuma pauta na cabeça. Até que, lendo a Folha Online, vi alguma notícia relacionada à esse projeto de lei e resolvi que seria maneiro abrir um debate aqui entre os leitores sobre o uso ou não de violência na educação de crianças.

Ah sim, bem vindo de volta ao Why Not :)



Bem que você merecia umas palmadas né Dona Bruna?

Para dar alguma credibilidade à esse debate, eu resolvi pesquisar na Biblioteca do Google artigos e análises dessa nova lei. O texto que foi aprovado na Câmara e no Senado é o seguinte:

"Menores de 18 anos têm o direito de serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante" sendo que ele considera castigo físico como "A ação de natureza disciplinar com uso da força física que resulte em sofrimento físico ou lesão à criança ou ao adolescente"

Quem defende a lei diz: o uso de agressões como método de educação são coisas arcaicas e pertencentes de uma geração mais rígida. Elas não funcionam e deveriam ser substituídas pelo diálogo com a criança. A palmada apenas distancia a criança de sua família, além de, através de pesquisas, ser comprovado que tais métodos contribuem para os hábitos sadomasoquistas na vida adulta (cá entre nós, é direito do cara gostar de levar chicotada no rabo).

Quem repreende a lei diz: o Estado não tem o direito de intervir em assuntos privados como a educação familiar. Há também o fato de que a lei coloca todos os pais no mesmo saco: sejam eles abusivos ou apenas aqueles que deram palmadas leves e/ou beliscões nos filhos, o que implica em punições exageradas.

E O QUE ESTE BABACA AQUI ACHA?

Mocho bem folks. Antes de eu explicar e expor de qual lado da balança eu estou, quero dizer que, em toda minha infância, eu raramente apanhei. Tirando a vez que, com 4 anos de idade (e nenhuma memória), eu chamei a minha mãe de "puta" e levei uma chinelada na boca que me fez sangrar, nunca sofri nada grave ou traumatizante. A vida já me batia o bastante (Emicida Productions, 1997).

Vamos ver então. O primeiro fato deste post, que é a base da minha opinião, é de que SIM, este é um método antigo e "ignorante" de educação e repreensão. No mundo ideal, onde flores absorvem lixo e sintetizam sonhos, seria no mínimo obrigatório termos métodos novos e mais eficazes de educação, como conversar.



Olha só um novo fato: CRIANÇAS SÃO CURIOSAS. Essa frase, apesar de tirar um pouco da culpa dos infanto-juvenis, já justifica muita coisa. É compreensível que um menino pegue o que não deve, vá aonde foi proibido, fale o que não sabe, quebre o que foi lhe dado. Estamos lidando com mentes em desenvolvimento, seres pequeninos que, queira ou não, estão na fase da vida onde tudo é incrível, chamativo e tentador. Algo que contrasta perfeitamente com outro fato curioso: pais não lembram absolutamente de NADA desta fase.

Eles não conseguem aplicar aquele velho método para problemas com outros indivíduos: se colocar no lugar da pessoa. É fácil julgar que seu filho foi uma "peste teimosa que não te respeita", quando, na idade da criança, ela não tem a mínima ideia do que é respeito. Você deve ensinar isso? Claro. Pode exigir? De jeito nenhum. A culpa, quando parece que ela não aprendeu, é sua? Não, e nem dela. É culpa do modo e facilidade que cada menino/menina tem para discernir algo. Sim, o famoso "é culpa da vida".



Para finalizar os argumentos a favor do projeto, devemos concordar que, caso as ocorrências de abusos infantis mais leves fossem sempre relatados e acompanhados por psicólogos e orientadores familiares, muitos dos casos de assassinato de crianças poderiam ter sido impedidos antes dos atentados, como a menina Isabella Nardoni...

...só que claro, tudo poderia ser evitado caso algo fosse feito. É um argumento muito amplo e que se perde na vastidão de seu sentido. O caso X poderia ser impedido se tivéssemos porte de arma, caso Y poderia ser impedido se bebidas alcoólicas fossem proibidas, caso Z não existiria se existisse pena de morte. É um argumento muito fácil de ser rebatido.



Agora vamos voltar para a realidade. O stress, a raiva, o caralho à 4 e todos esses problemas modernos só tem piorado hábitos naturais. Tudo é mais irritante, tudo é menos paciente, tudo precisa ser mais rápido. Muitos pais precisam trabalhar para sustentar filhos, um ato que, enquanto visa trazer algo de bom para a criança, entrega junto crises que ela vai sentir muito mais imediatamente do que o dinheiro em si.

É um ciclo vicioso onde você se mata para melhorar a vida da família, mas acaba piorando tudo com seus surtos psicológicos, suas neuras, seus problemas de outros lugares. A casa é o seu refugio de todo esse rubi vermelho caótico que é o Mundo Cão, e são seus habitantes que acabam absorvendo tudo o que traz de ruim da rua. ASSIM, sem justificar, mas é PLAUSÍVEL que os pais, em seus momentos, esqueçam do "filho, vem aqui, vamos conversar sobre colocar o gato na geladeira" e partam para um tapa, um "NÃO FAZ MAIS ISSO SEU MOLEQUE DOIDO" e uma boa noite.



Um grande problema é que, no final das contas, acaba ficando tudo para o juiz decidir. A lei não define ao certo quais tipos de castigos físicos são proibidos. Agressão do ponto de vista de quem? De quem denuncia ou de quem está aplicando? Isso acaba apenas gerando mais trabalho para o juiz, que precisa avaliar se uma chinelada teve intenção abusiva ou recriminatória. Ou seja, a lei não mudou em nada a vida dos brasileiros, já que agressões e lesões já se enquadravam no Código Penal, também decidido pelo juiz a veracidade do ato.

E justamente por estar nas mãos de um homem só (apesar de todo o julgamento envolver advogados, testemunhos e júri) que um maior perigo surge: pais inocentes recebendo punições como a de criminosos mais sérios, já que as medidas para estes casos podem ir até a prisão (em último caso, mas ainda assim existente).

Primeira e ÚLTIMA vez que referencio Mundo Canibal no blog

Enfim molecada que leva(ou) chinelada no rabo. Eu não pretendo, em nenhum plano astral, ser pai. Mas no exercício de me imaginar como um cara que realmente foi maluco o suficiente para dedicar sua vida à uma criança, acho que sempre tentaria outros métodos além da paulada. Eu sempre gosto de testar teorias, me por à prova daquilo que outros dizem (é impossível comer canela pura, iDozer funciona, rimar algo com "ônibus"), por isso eu acho que faria desta experiência de ter um filho uma oportunidade para entender o ser humano em sua fase de conhecer o mundo, experimentar coisas novas, ser educado, influência dos pais nos filhos. Infelizmente, eu me estresso fácil. Me irrito com muitas coisas, normalmente mais com exemplos de azar (machucar o dedo, quebrar algo) do que com pessoas, mas só porque, quando eu me irrito com pessoas, tenho a reação padrão de tratar aquele acontecimento com TODA A FRIEZA possível, até demais. Assim, se eu não ficasse louco o suficiente para bater no meu rebento toda vez que ele quebrasse um vaso, provavelmente eu o ignoraria tanto que ele nem teria uma figura paterna, só fodendo ainda mais com a mãe que teria que agir por dois.

Meu veredito final, baseado apenas em achismo e em artigos que eu li pela internet (que não divulguei aqui, mas é só você mexer esse dedo gordo e pesquisar "Lei da Palmada" no Bing) é de que ALGUMA palmada é necessária na educação de crianças. Os exemplos de filhos que cresceram sem isso e se tornaram pessoas incríveis (como eu) são extremas exceções, crianças prodígio que por algum motivo ficaram mais inteligentes e obedientes na infância do que de costume.


E é isso. Deixe aí embaixo a sua opinião sobre bater em pentelhos chatos. Eu duvido que tenha algum pai que leia esta bagaça de blog, mas se sim, deixe aí seu ponto de vista, já que é o mais relevante de todos. Abraços e uma boa esterilidade para todos <3

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