quarta-feira, 12 de março de 2014

O Problema das Exceções

Boa tarde peregrino.

Estamos de volta com mais um post e, como dita a regra da aleatoriedade de assuntos, hoje vai ser um papo mais cabeça.

Uma reflexão-debate, se preferir. Enfim, a intenção é que isso abra uma discussão nos comentários, apesar de vocês nunca fazerem isso. Ao menos que isso possa tirar 10 minutos do seu dia regado à SBT para pensar em algo.

E vamos nessa.



Meus caros, vamos sentar na poltrona das ideias hoje e refletir exceções à regra.

Como sabem, esse mundo pirotécnico rege na base de regras, sejam elas morais, de etiqueta, da natureza, do Universo. Nós, nada diferentes, também funcionamos completamente com regras. São elas que decidem o certo e o errado, o legal e o ilegal, o livre e o censurado.

Basicamente, temos tesão em nos regrar. Isso pois queremos sempre nos distanciar dos nossos parentes, os animais. Queremos nos sentir superiores, disciplinados, inteligentes. Por isso ditamos que andar pelado é feio, que usar bermuda em ambiente de trabalho é falta de educação e que não se come comida com as mãos, mas sim com talheres.

Agora, vindo na contramão, temos uma outra mania tão frequente quanto a de criar regras: quebrá-las.

E isso acontece através das tais exceções. Aquele "não poderia estar fazendo isso, mas fica entre nós". Aquela escapada que desmoraliza toda uma ideia.

Vou dar um exemplo aqui bem conhecido, ao mesmo tempo que me posiciono acerca desse assunto que, imagino, nunca citei. Digamos que eu queira fazer Jornalismo na Cásper Líbero (sonho antigo). É pago, mas tem bolsas. Eu me inscrevo para essa bolsa, pois minha condição financeira bate com o exigido pela faculdade. Só falta a prova, a forma mais justa (sqn) do mundo de decidir entre duas pessoas. Eu me esforço pra caramba e consigo nota X. Normalmente, eu teria passado, tendo sido ela uma nota alta, mas algum outro rapaz pobre, igual eu, mas provavelmente com uma cor de pele diferente, tirou X+cota, e por isso vai passar na minha frente. Assim, com uma exceção legal, eu deixo de ir pra faculdade nesse ano.


Agora, onde eu quero chegar:

Uma regra, quando feita e por mais tonta que seja, tem um significado. Ela é importante sim, está lá por algum motivo. Ela dá conta de tentar igualar as pessoas, não deixar que ninguém se sobressaia dos outros (claro, APENAS na teoria).

UMA exceção é só o que necessita para se tirar todo o sentido de algo. A partir daquela brecha, tudo é possível, nada mais é legal, tudo está aberto à interpretações. E isso simplesmente fode com muitas iniciativas.

Vamos dar um exemplo verídico e que talvez tenha me motivado à falar disso.

Eu leio um post feminista e resolvo comentar. Incrivelmente, eu sou a única pessoa em uma lista de respostas que aparentemente discordou do que estava escrito. EU, por ser HOMEM, estou errado, já que nunca vou entender o sentido de tudo aquilo.

Afinal, eu sou HOMEM.


Assim, qualquer coisa que eu use para argumentar sobre o que penso está invalidado e obviamente equivocado. Que homem pode falar de estupro? Ou de objetificação?

Claro, ok. Mas agora, me diga: e os caras acima do meu comentário que concordaram com o ponto de vista? Ganharam likes, foram aplaudidos, esses estão certíssimos.

...mas...eles são homens, certo? Eles também não entendem nada que aquele post quis passar. O fato deles concordarem com a pessoa que fez o post não tem nenhum significado. Quer dizer, eles não podem concordar com aquilo, eles são HOOOOOOOOOOOMENS, tão homens quanto eu que me mantive contra.

Aí está a exceção que fode tudo. Se o sentido da pessoa era dizer que só mulheres sofrem aquilo e se entendem, ela perdeu toda a sua razão no momento em que aplaudiu um homem e vaiou o outro. Atos não se diferenciam por tipos. Não existe um ato que seja ruim em uma situação, mas bom em outra.

Mentir é mentir. Xingar é xingar. Matar é matar. Isso são "regras", não se abre exceções para aliviar ninguém.

E no final, estamos todos nos degladiando. Justamente porque as regras perdem seus sentidos. E é algo anexado à nossa existência. Sempre vamos fazer regras e sempre vamos sobrepujá-las em algum momento.

E sabe o quê? Não adianta a gente fugir, negar, inventar, disfarçar, posar, argumentar.

SOMOS E SEMPRE SEREMOS ANIMAIS.

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