segunda-feira, 10 de março de 2014

Drops Infância: Matei o meu melhor amigo

Fala vagabundos, tudo tranquilo?

Tudo na paz aqui também, caso você se interesse pela insignificância que é a minha vida.

Bem, estou estreando aqui um novo quadro, pensado há muito tempo mas que só hoje me deu saco de fazer. Ele é um "filho" do Festinhas, já que essa série clássica do blog só vai ter mais uma edição (só tem mais uma festa a ser abordada, e eu ainda não lembrei de caçar as fotos dela). Como leram lá em cima, já que são cidadãos de Ensino Médio completo, o nome do quadro é "Drops Infância".

O nome é bem esclarecedor, mas sempre tem aquele que não entende não é?

Esse quadro vai ser basicamente mini contos da minha infância que possuem fotos com as quais posso ilustrar. Vai relembrar algumas passagens maneiras da minha vida enquanto pirralho de merda, tentando ser breve (por isso drops). Porém, já aviso que ESTE não é tão curto.

Tem um quadro planejado para vídeo que é quase a mesma coisa, e se ocorrer das duas atrações acabarem falando da mesma coisa, opto pelo Youtube e finalizo esse quadro escrito.

EINFIM.



Essa é uma história completamente triste e real. Tenho um pouco de remorso pelo que fiz na época, então ignorem se vocês encontrarem manchas durante a postagens: provavelmente são minhas lágrimas que caíram na tela do computador.

Vamos voltar para o passado. Eu era esta criança enfadonha da foto acima, com cachos dourados que, aliados à um nome que é também a onomatopeia de um espirro de alce, me garantiam confusões de gênero. Ou seja, pessoas na rua achavam que eu era garota.

Talvez isso justifique atos tenebrosos e macabros de minha infância, como esse homicídio que eu nunca contei a ninguém. Aí na foto acima, estou com alguns amigos. Entre eles, estava o meu melhor amigo na época, cujo nome eu não quero falar. Vamos chamá-lo de Feliz.


Feliz e toda a sua alegria.
Eu conheci Feliz em um Natal (que ironia). Me foi apresentado por meus pais, em uma tentativa de criar uma amizade logo na infância. Estranhei um pouco a figura de início, mas logo me apeguei à ele. Acabou sendo um amigo incrível, e claro, duradouro. Não consigo me lembrar exatamente por quanto tempo fomos amigos, mas isso já não importa.

Acontece que, em todos esses anos de amizade, Feliz e eu sempre mantivemos uma relação de respeito e carinho. Pode parecer estranho, mas quando eu brincava com ele, parecia que eu ganhava asas, que eu era liberto de tudo e de todos. Sentia como se o mundo um dia seria nosso.


O dia em que o conheci.

Essa relação toda começou a se deteriorar quando um novo amigo chegou na casa. Na verdade, novos dois amigos. Um deles era bem maior, mais robusto, me carregava nos ombos pra lá e pra cá com uma certa lentidão, mas eu o adorava. Outro já era mais ligeiro, moderno, tinha algumas gírias que eu não conhecia e parecia estar bem ligado nas novidades. Isso acabou ofuscando o Feliz, que em tantos anos continuava a mesma coisa.

Toda tarde, eu subia até a casa da minha vó com esses três amigos e acabávamos brincando bastante. O problema era que ninguém mais queria chegar perto do Feliz, pois este já estava esquecido e chato.


Meus dois novos amigos.

Ficou claro para mim que os dias do Feliz já estavam no fim. Quer dizer, quando se tem um Batmóvel e um Triciclo com caçamba todo moderno, o que vale uma merda de uma motoca com rosto de retardado?

Acontece que foi justamente esse rosto o estopim de todos os problemas. Todo dia eu brincava com o triciclo de ferro (que na verdade era da minha irmã mas foda-se) e me divertia pra caramba, mas acontece que por várias vezes meus pais me lembravam:

"Adler, esse triciclo é da ALEXIA. O seu é AQUELE ALI" - e apontavam para aquela motoca estúpida com sua expressão de derrame cerebral.

Pouco a pouco, eu simplesmente comecei a ODIAR o Feliz.

Em minha defesa, ele já planejava me matar. Olha ele ali atrás me encarando demonicamente.

Foi então que, um certo dia, minha loucura me levou à um novo nível. Era mais uma tarde naquele quintal imenso da casa da minha vó. OS três veículos de pedais estavam descansando como de costume. Tomado por toda minha raiva, dessa vez eu chamei o Feliz para dançar pelo pátio. Montei nele e pude sentir sua alegria. Dirigi até a outra ponta do quintal, justamente aquela onde tinha a escada que descia até o portão bem lá embaixo. Admiramos o pôr-do-sol como dois leões velhos, já cansados de nossas batalhas. Feliz sonhava em ir para a praia, para a rua, para o parque. Queria me levar por vários lugares.

Eu só sonhava com o seu extermínio.

Desmontei da motoca e a encarei, fitando aqueles olhos imbecis. Sua boca, retardada como sempre, ainda sorria. Talvez um pouco mais naquele dia.

"Feliz."

"Sim, Adler?"

"Esse quintal é pequeno demais para nós dois. Pedale isso."


E o joguei de minha escada, deixando que cada degrau o matasse um pouco mais à cada batida. Lá do alto, eu observei a destruição daquela criatura enquanto ela se desmanchava e danificava com a queda. Quando tudo acabou e o corpo da motoca estava estirado lá no portão, eu encarei uma última vez aqueles olhos, agora quase apagados, e disse:

"Feliz Natal"


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