sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Só Enxergamos a Merda

Bom dia nobre leitor. De tempos em tempos, após falar muita besteira relacionada com putaria e animes, eu me lembro que tenho 19 anos e resolvo escrever algo mais sério aqui no blog.

Isso se chamaVA Off Zueira, o quadro onde eu desligo toda essa palhaçada latente e original de mim e coloco minha cabeça filosófica para funcionar. Bem, o nome é bem escroto, então vou parar de chamá-lo assim, deixando este título apenas nas tags para não separar esses novos das edições antigas.

Enfim, tu nem deve entender nada disso, então relaxa. Outra coisa é que, em tempos mais felizes e esperançosos, eu tinha uma frequência de post. Eles tinham dia certos para irem ao ar, além de dificilmente ficar um dia sem nada. Mas a vida é ereta e nós nos adaptamos. Assim, vou começar a postar o que quiser no dia que quiser. Assim tenho mais liberdade para escrever o que me satisfaz.

ENFIM VERDADEIRO, vamos lá




Então meus queridos. Esses dias cheguei à um pensamento que nunca tinha me ocorrido antes. Vamos lá:

Quantas vezes você ouviu falar que pastor de igreja é ladrão? Talvez tantas vezes quanto escutou que macumba é do demônio. Se já foi ou é cristão, com certeza já ouviu falar mal do espiritismo. E também de ateus. E de "bruxaria" também.

Pois então. Já percebeu que só ouvimos falar mal das religiões? E sim, é um cara agnóstico que está falando isso para vocês.

Ao longo da vida, se tu nunca tomar uma religião como sua (algo praticamente raro aqui neste país), talvez não ouça tanta coisa ruim assim. Ou ouça né, a sociedade aí a sua volta não perdoa. Mas ok, o foco aqui é nos perguntarmos: por que só vemos esse lado ruim  das religiões?

Eu fui evangélico a vida toda, então não posso afirmar nada quanto à espiritismo, catolicismo, etc, mas enquanto estava indo para a igreja, eu só ouvia coisas horríveis das outras crenças. Coisas como "espíritas conversam com demônios", "macumba (eu sei que esse é o nome errado) é oferenda pra Satanás", "São Cosme e Damião são dois demônios".

E bem, como eu era uma criança, isso penetrou por baixo da minha pele e eu adquiri o lindo preconceito com essas outras atividades. Sempre tive medo de entrar na loja de candomblé (aquela com uma estátua de um senhor negro sentado na entrada), sempre neguei convites à Centros Espíritas e nunca aceitei doces e comidas no dia dos santos. Até festa junina eu evitava em uma época.



E é claro que isso é uma idiotice, mas porque essas imagens ruins ficam na cabeça? Eu vou acabar misturando duas coisas diferentes aqui, mas por um lado temos espíritas tidos como enganadores que falam com demônios, por outro lado temos pastores que prometem riquezas e cobram valores exorbitantes por isso.

Agora, eu não vou entrar no mérito de julgar as ações das religiões. Eu, particularmente, não acredito em salvação divina. Também não acredito em mensagens de pessoas mortas, psicografia e tals. É claro que, vendo de longe, realmente parece uma enganação. Mas é justamente esse aspecto duvidoso que gruda na cabeça das pessoas, e não as coisas boas da religião.

Primeiro que ACREDITAR EM ALGO é sempre bom. Isso é motivador, te dá um sentido pra viver, te faz refletir sobre aspectos importantes da vida e estimula o convívio com as pessoas, além do amor ao próximo.

Também tem a parte da caridade. Eu sei que muitos Centros Espíritas fazem projetos de doações à pessoas que necessitam, e isso deveria falar mais alto do que qualquer imagem negativa. Talvez nem todas, mas a minha ex-igreja, a Quadrangular da Vila Dalila, também praticava ações desse tipo. Eu mesmo fui um dia em uma casa bem acabada à beira do Aricanduva para ajudar em um culto especial para as crianças, que distribuiu doces e levou elas para a igreja mais tarde. Anualmente existe o culto das crianças lá, onde muita coisa é oferecida. Oras bolas, eu até já interpretei o Quico do Chaves em uma peça de teatro só pra eles.

Católicos, umbandistas (sério que é assim que se fala?), wiccanos, muçulmanos, islamitas e budistas também devem ter suas boas ações, nem que seja desejar para o deus respectivo por paz na Terra, prosperidade ao próximo.



No fim, todo movimento religioso tem seu mérito. Ninguém está pregando a destruição do mundo. Todo mundo está buscando algo para si, salvação ou paz. E é isso que precisa ser respeitado e lembrado.

Dízimos nas igrejas são, em sua maioria, ações voluntárias dos fiéis que querem ajudar aquela casa que os abriga. Isso não é errado, apenas exagerado. No entanto, você não pode proibir alguém de dar esse dinheiro, então pare de focar nesse aspecto.

Até porque todos nós temos nossos "dízimos". Ou seja, todos nós pagamos por coisas bobas, mas que nos fazem felizes. É bobo pagar, por exemplo, pelo Netflix, já que eu posso baixar tudo aquilo, mas me faz bem estar dando o valor necessário àquele serviço. Me faz bem.

Se pessoas aflitas buscam ajuda com os espíritos, então que seja. Isso não está privando ninguém de nada, e nem prejudicando. Nem rezar para santos, rezar para Buda, fazer despachos. É ridículo da parte de um evangélico dizer que no candomblé as pessoas são "possuídas por demônios" quando na própria igreja evangélica existe a manifestação pentecostal, quando alguém fala em línguas, sapateia, essas merdas. Quer dizer, se existe uma possessão na religião dos outros, é demônio bravo, mas se acontece na minha é manifestação do Espírito Santo?


Inclusive, o Pastor Zangief é uma manifestação pentecostal

O foda é que TEM como ser evangélico sem ser babaca. Tem muita igreja mais simples que não tem gritaria, não tem exorcismo, todos ali parecem membros de uma grande família, com viagens, vigílias, batismos, peças de teatro, danças. Eu era de uma igreja assim, e sou muito grato por ter acabado os meus dias de evangélico lá. E não dava para toda igreja cristã ser assim?

Bem, é isso meus queridos. Espero que possa levar pra sua vida esse pensamento mais social. Que tal lembrar das boas ações das pessoas antes de criticá-las? Porque no fim isso é um reflexo da vida. Os acertos vão, os erros ficam.

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