quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Semana (s) Daft Punk: Parte FINAL - Análise, Curiosidades e tudo que sobrou.


E bem viiiiiiiiiiiiiiiiiindos ao final dessa saga francesa e eletrônica. Hoje, no último post da semana DAFT PUNK, iremos abordar os significados por trás de suas personas robóticas, seus valores, suas curiosidades e tudo mais o que faltou falar, resumido.

Poish bem, vamos para a análise de vários pontos da banda.

ANÁLISE

Princípio
Não é desde sempre que a banda chamada Daft Punk possui dois robôs como seus integrantes. Antes do segundo álbum, Discovery, os dois não possuíam os icônicos capacetes metálicos, muito menos a temática dos robôs envolvida. Porém, mesmo que sem tanta força, os mesmos ainda se disfarçavam e evitavam ao máximo expor suas faces sem qualquer obstáculo para a mídia. E o motivo desse é bem simples: desde o início, Thomas e Guy sempre desejaram que o foco fosse a música e não a fama. Em uma entrevista para uma revista de música eletrônica, Thomas explicou bem como eles levam esse assunto:

"Nós não acreditamos no sistema de estrelas (ou seja, em virar celebridade). Nós queremos que o foco seja a música, se precisarmos criar uma imagem será uma artificial. Essa combinação esconde nossas essências físicas e mostra nossa opinião sobre celebridades. Não é um compromisso.

Nós estamos tentando separar o lado particular do lado público. É que nós ficamos constrangidos com tudo isso. Não queremos participar desse sistema de estrelas, não queremos ser reconhecidos na rua. Sim, todo mundo aceitou nosso uso de máscaras até então, o que nos deixa felizes.

Talvez as pessoas as vezes se decepcionem com isso, mas é o único modo que queremos fazer . Nós achamos que a música é aquilo de mais pessoal que podemos dar para outra pessoa. O resto são pessoas tomando-se como sérias demais, e que é muito entediante as vezes."



Porém, foi inevitável o sucesso e a fama que ambos tiveram com suas músicas. Também indagado sobre o que pensavam sobre o estrelato, Thomas também disse:

"Sim. Eu acho que as pessoas entendem o que estamos fazendo. Conheço muitos que gostam do modo. Elas entendem que não é preciso ter o rosto estampado nas capas de revistas para fazer sucesso. Pintores e outros artistas, por exemplo, você não sabe como são mas sabe o que eles fazem. Nós estamos felizes em notar que esse conceito está ficando popular. Na França, se você menciona o Daft Punk, eu tenho certeza que milhões irão conhecer, mas poucos conhecerão nossos rostos, que é exatamente o que queremos que aconteça. Nós controlamos, mas não se trata de nós, de nossos corpos. Não queremos esbarrar com pessoas da nossa idade na rua e que nos parem na rua falando "Hey, pode me dar um autógrafo?" pois acreditamos que somos iguais à elas. Até garotas, que podem se apaixonar por sua música, mas não devem se apaixonar por você. Você não precisa se comprometer sempre em troca de sucesso. O uso das máscaras só serve para deixar tudo mais divertido. Fotos de nossos rostos podem ser chatas. Não queremos toda essa posição e atitude rock'n roll, pois elas são bem ridículas hoje em dia."

E a banda se entrega de corpo e alma à ideia. Eles sempre evitam dar entrevistas televisionadas, e se fazem, é sempre com alguma restrição, como tampar os rostos, ficarem de costas ou dublar animações 3D deles mesmos.


Robôs Humanos
A marca registradíssima da dupla, talvez a maior característica deles, foi feita durante o segundo álbum da banda, depois de Homework. O design dos capacetes, na época, ficou nas mãos de Paul Hahn e os diretores franceses Alex e Martin. Esses primeiros modelos diferiam bastante dos atuais, principalmente por conterem vários efeitos visuais através dos LEDs embutidos. Eles também possuíam perucas acopladas, mas essas foram retiradas do projeto pouco tempo antes dos novos designs serem revelados (para a nossa sorte).

O que ajudou bastante na divulgação e glorificação desses conceitos visuais foi o canal infantil e pago Cartoon Network, onde a dupla se apresentava em um comercial:


Ao longo dos anos as músicas se foram e os capacetes ficaram. Hoje, são ícones da cultura pop. Mas afinal, o que eles queriam passar com estas fantasias?



A intenção sempre foi representar a fusão do homem com a máquina, a robotização da sociedade. A dupla era, ainda que robôs, bem humanos. Por isso suas cores gritantes, os LEDs, o fato de Thomas só representar palavras com seu capacete e Guy só representar símbolos no seus. Eram, de fato, os robôs com mais personalidade já criados na música, inspirados em histórias de ficção científica e nos heróis cheios de cor dos animes dos anos 80. E isso foi o que conquistou crianças que futuramente seriam aqueles que comprariam seus CDs e acompanhariam seus trabalhos.

E o tema da robotização é levado em diversos níveis diferentes através da carreira da dupla. Em Discovery, ele é pouco abordado, sobrando mais para as músicas "Digital Love", onde o robô demonstra amar platonicamente, e "Harder, Better, Faster, Stronger", falando da sociedade como robôs que seguiam modas.

A crítica ganha real importância e significado em Human After All, onde Thomas e Guy abandonam a alegria e as cores do último álbum para aderirem aos capacetes mais monocromáticos, as jaquetas de couro, o clima mais pesado. Aqui as críticas ficam pesadas, caindo na maioria em cima da mídia opressiva e manipuladora.



O clima descontraído retorna em Random Access Memories, que aborda mais o passado em sua glória do que o futuro caótico e eletrônico. Mas não deixa de ter suas pitadas de robotização, como em "Instant Crush", "The Game of Love", "Within" e "Doin' It Right".


Human Discovering Homework
Apesar de não ser um álbum de estúdio, "Alive 2007" merece todo o respeito e admiração possível. Sendo ele um CD de tour, não se espera muito de sua setlist além de simples gravações dos shows feitos pela banda.

Equivocadíssimo está esse pensamento. Aqui, juntando todos os seus álbuns em um só, o Daft Punk acabou fazendo uma coletânea de sua carreira sem querer. Tirando algumas faixas, a maioria das músicas deste CD são remixes de 3 canções de álbuns distintos. Isso pode parecer qualquer coisa, mas se você ouve essas faixas, conhecendo o repertório da dupla, vai ver como tudo se encaixa, como se as músicas tivessem sido criadas com a intenção de se juntarem desde o princípio.

São letras e batidas que se casam, se transformam, se fundem e se separam. Além de uma amostra da habilidade de DJ dos caras, isso demonstra também uma certa união nos três tipos de ideia passadas para nós. As premissas básicas de Homework, que possui poucas letras bem desenvolvidas, se unem ao disco-groove de Discovery, que por sua vez se junta também com as músicas mais minimalistas de Human After All, e aí temos o que pode ser considerado o melhor conjunto de remixes já feito.





Glória ao Passado
Algo evidente em todas as ações do Daft Punk é o tremendo respeito e até paixão que eles tem pelo passado, por suas músicas. A nostalgia desses momentos está estampado tanto nos trajes dos robôs quanto nas músicas de seus álbuns. São mais e mais referências, samples, conceitos visuais e shows que reforçam essa paixão.

Dois álbuns se destacam nisso tudo, reforçando uma outra ideia de que o Daft Punk sempre lança um álbum puramente eletrônico/moderno/crítico e depois um álbum disco/groove/alegre/festa/passado. São eles Discovery e Random Access Memories. Ambos falam com momentos antigos da vida de Thomas e Guy. Um é sobre suas infâncias, não chega a falar exatamente do disco, mas sim dos sons de toda aquela época, que recebiam através da TV, do rádio, dos vinis. O outro é claramente uma homenagem ao disco, à brilhantina, aos globos de vidro.

Algo que eles sempre fizeram foi mesclar esse passado com seus próprios toques pessoais. Nada para eles pode ser uma simples cópia, eles precisam sempre deixar aquilo com a sua marca, com o seu talento. Isso acontece em vários hits da banda, que, caso você não saiba, possuem samples. Samples são trechos de músicas de outras pessoas que praticamente todo artista pop/eletrônico usa. Muito confundido com cópia, esses samples possuem suas regras e normas. É algo fiscalizado, pelo menos lá fora. E foi com todo esse cuidado que o Daft Punk reviveu músicas extremamente antigas, do final dos anos 70. Elas compõe a base de "Robot Rock", "Harder, Better, Faster, Stronger", "Crescendolls", "Digital Love", etc.



Assim, como dito ali em cima, essas músicas de antigamente são refeitas, editadas, remixadas, recebem outros instrumentos por cima e viram novos sucessos, dando o devido respeito e crédito ao passado, ao Disco.





CURIOSIDADES

♦ David Bowie uma vez passou no estúdio deles e pediu para eles remixarem uma das músicas do cantor. Eles recusaram.

♦ A dupla não permite que seus rostos sejam fotografados desde 1996.



Em 2001, o grupo criou um serviço de músicas online grátis chamado Daft Club. Era um cartão que você recebia na compra do álbum Discovery que lhe dava acesso ao portal, onde você podia ouvir e baixar de graça diversos remix exclusivos. O serviço acabou em 2003, mas a banda consagrou o projeto ao lançar um CD com as mesmas músicas do site.




♦ Os dois já estrelaram um comercial da GAP com Juliette Lewis ao som de Digital Love. Devo dizer que o senhor Guy estava um tanto gordo nesses jeans.



♦ Para compensar, ambos estrelaram, junto de Snoop Dogg, David Beckham, Oasis Brothers e aquele ator que tu reconhece mas esqueceu de onde, um comercial FODÁSTICO da Adidas, inserindo as estrelas(heh?) do video no Mos Eisley, diretamente de Uma Nova Esperança.




♦ O LCD Soundsystem, uma outra banda DOCARALHO, homenageou devidamente a dupla de DJs em sua música/videoclipe, "Daft Punk Is Playing At My House". Um detalhe bacana é que, como podem ver no thumbnail, eles colocaram no vídeo pessoas fantasiadas como os personagens do videoclipe de "Around The World".




♦ O projeto paralelo de Thomas Bangalter, "Stardust", fez fama pelo mundo inteiro com o hit "The Music Sounds Better With You". Se você prestar atenção, verá um toque similar ao do Daft Punk.

♦ Lembra da banda "Phoenix"? Que tem o Lars, aquele cara que formava uma outra banda chamada "Darlin'" com Thomas e Guy? Pois então, em um show em Nova York, quando o Phoenix estava tocando o bis do show, o Daft Punk fez uma aparição surpresa e tocaram um medley de "Harder, Better, Faster, Stronger" e "Around The World". Agora a banda irá tocar no Lollapalooza do Brasil nesse ano. Chutaria que a participação ocorreria novamente? Quem sabe.



♦ Kanye West fez uma excelente música em cima de um hit do Daft Punk chamado "Stronger". Pois o nosso rapper vai ao Grammy apresentar este sucesso, e quem está lá em sua pirâmide de neon para receber APLAUSOS? Vale lembrar que foi a primeira vez que um "show" do Daft Punk foi televisionado, e que os produtores foram bem filhas da puta em deixar uma câmera dentro da cabine focada no que Thomas mexe, só pra provar que eles realmente fazem algo lá dentro.



♦ Algum fã MUITO MAIS FODA QUE EU teve a ideia de representar nas mãos a música que já foi mega citada aqui, por isso nem repito seu nome. Pois bem, ficou foda e teve views, o que mais precisa?

♦ Segundo Guy, uma das maiores inspirações do duo é o álbum "Screamadelica" da banda "Primal Scream".



♦ Essa imagem existe.

♦ Seus capacetes originais, do disco Discovery, chegaram a custar 65 mil dólares para serem produzidos.



♦ Segundo Thomas, eles viraram robôs no dia 9 de Setembro de 1999, às 09:09am, quando um de seus samplers explodiu em cima da dupla.

♦ Ambos foram condecorados como Chevaliers (cavaleiros) na França.



♦ Caso vocês se perguntem, os capacetes atualmente possuem ventoinhas que permitem os franceses respirarem em shows e apresentações.




♦ Em parceria com a Coca-Cola, eles lançaram esse set de garrafas colecionáveis. Elas foram vendidas apenas na França, enquanto aqui nós temos o mini-craque do Romário.



♦ No Grand Prix 2013 de Mônaco, uma rara e curiosa aparição pública foi feita. Eles apoiaram e patrocinaram o time "Lótus" de corrida, colocando o logo da banda no carro junto com imagens dos capacetes. Ficou neste nível de maneiro:





É isso galera!
Obrigado por terem aguentado e acompanhado esse projeto especial que fiz aqui, foi pelo meu amor imenso pela banda que tudo isso aconteceu. Espero que todos esses posts tenham lhe servido pra algo, nem que seja pra ouvir música boa. 

É claro que faltou coisa pra caramba, mas, por incrível que pareça, eu sempre tentei resumir o conteúdo.

Obrigado ao Daft Punk pelas músicas feitas e pela magia do disco que me ensinaram.

Até a próxima, voltamos agora com a programação normal :)





Bibliografia:

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Daft_Punk

Fun Trivia: http://www.funtrivia.com/en/Music/Daft-Punk-18334.html

NME: http://www.nme.com/photos/daft-punk-unmasked---30-facts-you-didnt-know/307510/2/1

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