sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Semana Daft Punk: Parte 4 - Human After All (2005)


Oi.

Eu nunca sei como começar um post. Usei todas as saudações variantes possíveis, e sempre fico meio bravo de ter que repeti-las. Bem, mas aqui estamos. Hoje vou falar do terceiro álbum dos francesinhos, talvez o mais polêmico e odiado pelos fãs.

VAMOS NESSA, TO CERTO!
Ficha Técnica:
Nome: Human After All
Lançamento: 14/03/2005
Duração: 45m:33s
Gravadora: Virgin (Ocidente) e Toshiba-EMI (Japão)
Produtor(es): Daft Punk, Cédric Hervet, Gildas Loaëc
Gênero: Electro-rock, House

Breve Resumo:
O álbum, que é uma tentativa de fugir dos padrões criados em Discovery, foi gravado em seis semanas, utilizando-se de um estilo mais minimalista e com pouca revisão. Isso se refletiu nas vendas e nas críticas, que também foram mínimas em questão de elogios.

Na época, a banda se recusou a dar qualquer entrevista ou aparição na TV, levando em consideração que um dos grandes temas do álbum era a manipulação da população por parte da mídia controladora. No futuro, Guy viria a se arrepender dessa decisão, que deixou muitos fãs sem entenderem o álbum.

Como uma tradição até então, o álbum teve um "spin-off" em outra mídia, que seria o filme Electroma, lançado no Festival de Cannes em 2006 e nos cinemas franceses em 2007. Na trama, dois robôs, que aparentemente eram o Daft Punk, buscam se tornar humanos, o que causa uma jornada mais filosófica, ainda que muda.




Significado do Álbum:
Basicamente, Human After All trata da robotização x humanização. Por um lado, os robôs do Daft Punk estão buscando sua humanidade, querem entender mais de sentimentos e liberdade. Em contraste, os humanos, a sociedade criticada, está cada vez mais robótica, com padrões, vidas rotineiras, controle por parte de grandes empresas, manipulação, trabalhos repetitivos, negócios megalomaníacos. O título se refere à humanidade, que, mesmo com todos esses traços mecânicos e frios em suas vidas, AINDA são humanos, apesar de tudo.

O grande avanço das tecnologias, a perda de certos valores em favor de conceitos mais modernos e robotizados, a padronização das vidas. Tudo isso está estampado em diversas músicas do CD.

Como dito por ambos os artistas, um dos grandes objetivos de Human After All era largar tudo o que tinham criado em Discovery e apresentar quase que uma nova banda para os fãs. Um olhar ao contrário, dessa vez mais triste, melancólico, aterrorizante.


As Músicas

01 - Human After All


A música título do álbum traz consigo a apresentação do tema: Nós somos humanos, apesar de tudo. Agora, essa frase se repete tanto, e de formas diferentes, em tempos diferentes, que o seu sentido flutua e muda entre o calmo e amigável "Hey, parem com a guerra, somos humanos, apesar de tudo" e o mais energético e um pouco fascista "SOMOS HUMANOS! SOMOS HUMANOS!".

Eu, particularmente, começo a ouvir "Are you mad?" quando o refrão se conecta um com o outro, não deixando espaço entre a palavra HUMAN. Bem, e se na verdade isso é proposital, mas eu que estou ouvindo errado? Poderia ser que, depois de tanto afirmar "We are human", a repetição aumente sua velocidade e as frases se juntam, virando a pergunta: "Are you human?"

A ironia, depois de tudo, é que é uma voz robótica afirmando: Nós somos humanos.



02 - The Prime Time of your Life


De certa forma, esse álbum parece EXATAMENTE um robô tentando lhe falar pra ser humano, e por isso mesmo que os conselhos, as lições, a filosofia começa leve mas de repente entra em uma sintonia pesada, como se o robô não soubesse como tratar aquele assunto. A frase "LIVE TODAY THE PRIME TIME OF YOUR LIFE" tem cunho imperativo, te ORDENANDO a viver o melhor da sua vida. Novamente, só consigo enxergar nisso um robô tentando ser humano que não sabe conversar.

Atenção: o videoclipe abaixo é meio pesado e com cena forte, se tu desmaiou com o Porygon ou não aguenta dirigir em primeira pessoa no Burnout, nem veja.


VIDEOCLIPE: Então né gente, meio pesado isso aí né? Um horroroso mas verídico exemplo da nossa sociedade. A crítica agora está um pouco mais disfarçada, mas se mantém na TV. Claro, o alvo aqui é a cultura da magreza, da beleza forçada e plástica, da bulimia (ela era magra mas se achava gorda e se matou, isso é bulimia certo?), mas perceba que a TV ainda tem "culpa no cartório", é a fonte de toda a má influência que ela recebeu. Apesar de forte e triste (porra, é basicamente um videoclipe sobre suicídio), gostei bastante da coragem de fazer isso. E combina com a letra, que, como eu disse, é totalmente autoritária e te MANDA ser feliz com "o melhor da vida".



03 - Robot Rock


Dois robôs estão tocando um rock maneiro. Acho que a música não precisa de explicação não é? Só curte o som e se solta, é impossível ficar impassível com essa guitarra.


VIDEOCLIPE: O clipe não tem quase nada de diferente, mas é bem bacana ver os dois tocando instrumentos pela primeira vez, afinal, eles são músicos também.

GUY-MAN NA BATERIA FTW!!!



04 - Steam Machine


Música completamente maluca, só serve pra te deixar nervoso. Pra cortar o clima, igual Nightvision no Discovery. Mas aqui, ela não perde seu sentido. Ela ainda está falando sobre o avanço tecnológico, as máquinas à vapor, que iniciaram a Revolução Industrial e, querendo ou não, deu origem à nossa sociedade consumista.



05 - Make Love


Aqui já dá pra entender os reclames dos fãs. Quer dizer, são 5 minutos de NADA. Nenhuma letra, um ritmo pra lá de repetido, nenhum sentido nas combinações. Pule a música se não quiser dormir FORTE com essa.



06 - The Brainwasher


Vídeo auto-explicativo certo? Um robô com uma voz um pouco mais alterada, maligna, insiste: "I'm the brainwasher" ("Eu sou a lavagem cerebral"). A capa do CD é uma TV em estática, está claro de quem eles estão falando.



07 - On/Off


A música tem DEZENOVE SEGUNDOS. Eu ACHO que entendo os fãs que ficaram bravos.

Mas enfim, a música mais serve pra fazer a ligação com a TV, de como os humanos, ao assistir TV, estão ligados, antenados, sem desgrudar da tela.



08 - Television Rules the Nation


Aqui é a conclusão da trilogia "Brainwasher - On/Off - Television". Quem seria a "lavagem cerebral" senão a TV, que comanda a nação?

É engraçado ver que todas as músicas desse álbum são bem diretas. O Daft Punk não quer usar metáforas pra criticar algo: ele fala bem abertamente e claro. A TV COMANDA A NAÇÃO.



09 - Technologic


O ápice da tecnologia atingiu a sociedade. Nossa vida se resumiu à todos os verbos que o bebê robô cantou na música. E depois ele resume todas essas ações, essas palavras novas, esses verbos que só fazem sentido no nosso século, tudo isso ele resume à uma palavra: "TECHNOLOGIC"

Uma crítica, novamente bem clara, à nosso estilo de vida, à interferência da tecnologia no nosso dia-a-dia.

VIDEOCLIPE: Durma bem com esse bebê...



10 - Emotion


Esse álbum é uma GRANDE POESIA, e se você não entendeu, shame on you. Olha só que final genial: após a explosão de Tecnologia na humanidade, todas as emoções foram deixadas de lado. O mundo é uma grande CPU, todos são engrenagens cinzas, sem personalidade. E no fim de tudo, quem está cantando (e provavelmente desejando) EMOÇÃO é justamente um robô.

Aquele que só queria ser humano, andando contra os humanos que acabaram se tornando mecânicos igual ele. O robô era o diferente de todos, queria saber o que era emoção afinal. Uma pena que justamente aqueles que tinham esse privilégio abriram mão de sua humanidade e se tornaram mais robôs para o mundo.

Isso é uma música de tristeza. Um pedido que nunca vai se concretizar. Como se o robô estivesse pedindo, suplicando, orando: EMOÇÃO.....EMOÇÃO.....

Quer algo mais triste? Se você se focar, colocar os fones e prestar bem atenção, perceberá que, ao mesmo tempo que o robô canta Emotion, a melodia no fundo parece falar: "Where are you?"



Conclusão Final:
Apesar do álbum ser curto, ter algumas músicas que enjoam e só te animar em Robot Rock, eu dou todo o mérito para o Daft Punk por essa obra magnífica. A crítica social relacionada com a própria banda. Com a própria música deles, afinal, quer algo mais irônico do que DJS falando sobre excesso de tecnologia?

Eu não detesto nem um pouco este álbum como a maioria fala. Não consigo entender o quão intelectualmente ignorante alguém consegue ser em não perceber que esse álbum está CAGANDO pro fato de você querer dançar e esquecer os problemas, ele quer te falar uma verdade, uma mensagem. Afinal, eles são o Daft Punk. Eles não precisam reafirmar a glória de tempos em tempos. Eles já provaram que sabem contagiar quando querem, e dessa vez a proposta foi claramente diferente.

Festejar é bom, admito, mas você não pode viver só disso. É preciso algum sentido na vida, algo à se apegar, um fundamento.

Enfim, eu gosto pra caramba desse álbum. Ele fica em terceiro no ranking de favoritos, mas a distância entre ele e o quarto lugar (Homework) é absurda.

Parabéns Daft Punk. Após tanta festa e sonhos, mostraram também que podem ser realistas, pessimistas e melancólicos em sua própria forma.

Nota Final: 8/10




Bibliografia:


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