quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Semana Daft Punk: Parte 3 - Discovery (2001)


Alô Alô. Vamos juntinhos à mais um post sobre o Daft Punk, dessa vez sobre o segundo álbum do grupo (e o meu favorito), DISCOVERY.

Então scrolla ai pra baixo e DESCUBRA essa experiência única ;)
Ficha Técnica:
Nome: Discovery
Lançamento: 03/03/2001

Duração: 60m:50s
Gravadora: Virgin Records
Produtores: Daft Punk
Gênero: Disco, Garage

Breve Resumo:
O sucesso de Homework alavancou as expectativas nessa banda. Os amantes de música eletrônica tinham encontrado um grupo que se dedicava ao trabalho, que não se deixavam ir para o lado pop da Eletrônica, mas que tinham um próprio estilo e estavam fiéis a ele. 

Quando o novo álbum foi lançado em 2001, essas expectativas vieram a cair. Diferente do último álbum, mais experimental e puramente House, esse novo CD abraçava o disco dos anos 70 e o reformulava levemente com elementos dos dias da época. Agora, Daft Punk não era mais um simples duo de DJs franceses, eram os donos dos novos hits. Seriam aqueles dois que encantariam com ritmos animados, alegres e contagiantes como One More Time e Face to Face.

Foi junto com esse novo CD que Thomas e Guy assumiram suas personas robóticas, com uma roupa não muito diferente da atual. Além dos icônicos capacetes (que na época eram mais coloridos e tinham efeitos de leds), os músicos também usavam mochilas acopladas nas costas, como se fosse a "bateria" de cada um. Como sempre, a dupla desejava que sua música ficasse conhecida, e não os seus rostos. Que a glória fosse toda para o trabalho, e não para quem trabalhou.




Significado do Álbum:
A intenção de ambos com Discovery era relembrar e pagar um tributo à infâncias que ambos tiveram. A fase mais inocente da vida, onde cada nova descoberta parece ter sua própria melodia, como se o dia inteiro tivesse uma espécie de música-tema. Não só em relação à eles mesmos, mas com todas as outras pessoas que conviviam e interagiam com eles naquela idade.

Com isso, o Daft Punk esperava que as pessoas olhassem, não somente ao álbum deles, mas para as músicas como um todo com mente aberta, um coração mais puro. Que elas aceitassem que gostam de música, independente de parâmetros. Que elas não se ativessem tanto à especificações, mas sim ao sentimento gostoso de se ouvir um bom som.

Vale dizer que as próprias "fantasias" da banda são inspiradas em robôs e heróis de anime e tokusatsus, como nos anos 80.

Um adendo à parte fica para o filme-anime que foi escrito pela dupla e desenhado por Leiji Matsumoto, mito de animes antigos como Space Battleship Yamato. O filme conta a história de um planeta distante, de pessoas azuis, onde existe uma espécie de "Beatles" daquele mundo. Eles são adorados pelo planeta inteiro, e suas músicas atingem e empolgam à todos. Eles são sequestrados no meio do show, pelo que a gente acha ser espiões aliens. Enquanto eles vão para a Terra, virar uma nova banda de sucesso fabricada, um astronauta/piloto do mesmo planeta deles vai os salvar. É uma história bonita e que praticamente faz parte das músicas. Filme e as faixas do cd foram praticamente feitas juntas, pois tudo se interliga, tudo faz sentido quando se assiste os videoclipes. Tanto que o filme, na verdade, é a exibição sem parar de todos os 14 videoclipes, cada um avançando ainda mais na história. Talvez, e isso é minha opinião, a intenção da banda fosse mostrar o quanto a indústria da música pop estava se perdendo, mostrando que muitas vezes suas bandas fabricadas para fazem sucesso eram na verdade bons músicos que perderam toda a sua personalidade.



As Músicas

01 - One More Time


Fazendo jus ao nome do álbum, você começa a experiência DESCOBRINDO um novo Daft Punk. Nada das batidas repetitivas ou das saciedades semânticas de antes. Não, agora você tem letra, refrão, uma voz repleta de Auto Tunes, um ritmo contagiante. É incrível como essa música te faz bem. Você não tem que prestar atenção no caos que está a sua vida. Você só precisa ouvir One More Time e relembrar que tu tem muitas coisas pelo que celebrar, agradecer. É aquela sensação de querer mais e mais da música. Você quer mais um pouquinho daquele momento dourado onde todos os seus problemas foram embora com a batida, com sua dança. Então faça isso com estilo, faça isso com o Daft Punk.

VIDEOCLIPE: Gosto de como todo o planeta ama a banda. É algo maluco de se pensar, um mundo inteiro unido através de música. Algo maluco e muito bonito, de fato. Também gosto como fizeram o tecladista-vocalista com traços negros, já que a voz original, o falecido Romanthony, também é afrodescendente, não tira a personalidade e a essência do cara. E claro, essa invasão é bem maneira, vocês verão na próxima música.



02 - Aerodynamic


Aqui temos algo que puxa um traço bacana do Daft Punk. Esse instrumental, ouvido sozinho, parece uma simples música sem sentido, feita apenas para fazer uma ponte entre a incrível One More Time e a belíssima Digital Love. Um solo de guitarra bem maneiro (e feito pelo Guy), os sinos que dão esse ar mais maquiavélico pro ritmo, como se tudo fosse uma trilha de fundo...

VIDEOCLIPE: E é o que ela acaba sendo. Parece que foi feita já pensando nesse momento do filme. Bem, os caras são foda, apagaram um planeta com o gás rosa. O pseudo Sasuke tenta fugir e dá uma de badass, mas é pego de qualquer jeito. Talvez se tivesse soltado a porra da guitarra, quem sabe. Mas ok, banda abduzida, Guitar-Signal e quem vem lá?



03 - Digital Love


Se você ainda não estava convencido da qualidade deste álbum, toma essa na sua cara. Digital Love é essa baladinha gostosa de ouvir, com uma excelente voz sintetizada declarando seu amor dos sonhos. É incrível como todas as músicas de Discovery me OBRIGAM a mencionar o videoclipe. Não tem como negar que as canções todas envolvem o que está acontecendo no filme...

VIDEOCLIPE: E é justamente esse o meu clipe favorito. Eu sou um pouco apaixonado por espaço sideral, naves, vida fora da Terra e tals. E aqui eu vejo um astronauta maneirão, com sua própria nave em forma de GUITARRA, que sonha em ter a boazuda da banda. Achei bem maneiro como ele tem um quarto totalmente adolescente. Quando o bicho pega, Leiji Matsumoto dá o ar de sua graça e nos lembra que ele criou dezenas de animes sobre espaço-naves, então temos uma excelente cena de preparo da guitarraship para perseguir os sequestradores. E olha lá a Terra! A última cena é fodaça também, eu sempre via ela e ficava aflito de não saber o que aconteceria dali pra frente.



04 - Harder, Better, Faster, Stronger


Eu simplesmente amo como o começo da música tem todo esse efeito de som abafado pra simbolizar que ela estava sendo tocada na rádio, e que logo após de começar a parte empolgante, você foi transportado para dentro da canção.

Também sou completamente maluco por como eles conseguiram fazer essa música algo com tantos sentidos. Você não entende por que eles estão cantando ações/palavras aleatórias do nada. Só depois de um tempo você vê que na verdade um verso se encaixa com o outro, formando uma estrofe por completo.

TERCEIRO PONTO POSITIVO: a música inteira gira em torno das mesmas duas frases:

"Work it harder, make it better, do it faster, makes us stronger.
More than ever hour after our work is never over."

A partir daí você pode falar que, aparentemente, as frases ironizam o nosso sistema de trabalho, onde temos que sempre fazer melhor, fazer mais rápido, trabalhar mais pesado e "nos fortalecer". Fortalecer a economia, é claro. E mais do que nunca, já que esse sistema sempre "avança", horas e horas depois, o nosso trabalho nunca está acabado.

PORRA DAFT PUNK! PORRA!

E claro, outro excelente motivo pra amar a canção é como os DJs conseguiram fazer dessa simples frase a MÚSICA INTEIRA. O vocal só canta isso, com efeitos e velocidades diferentes, e nós nos amarramos do mesmo jeito.

VIDEOCLIPE: A música é PERFEITA para essa cena. Os membros da banda alienígena são transformados em humanos. Suas memórias são modificadas, suas cores (novamente, maneiro deixar o tecladista negro), suas roupas. Tudo muito sistematizado e preparado, como se o magnata do final do vídeo já tivesse feito isso com diversos artistas antigamente.



05 - Crescendolls


VIDEOCLIPE: A Terra está comemorando a chegada de sua nova banda comercial. Os Crescendolls, como são chamados, fazem sucesso instantâneo. Ditam tendências. Seus óculos, suas roupas, seus cabelos. Eles são a onda do momento, e a música deixa claro como é esse ritmo de festa e euforia por eles.

Os músicos, no entanto, estão apáticos, um claro sinal de que viraram bonecos controláveis nas mãos de um executivo maligno. Enquanto isso, o mundo se dobra perante à banda, que ganha a posição de número 1 na Billboard (chuto eu). Curioso como o simples toque de um fã na mão de Stella é capaz de tirar sua seriedade por alguns segundos. E inclusive, belos nomes hein? ARPEGIUS, que nome foda do caramba.



06 - Nightvision


Mais uma ponte, um "pitstop" para você retomar o fôlego e voltar a dançar daqui pra frente. Nightvision é calma, sossegada. É a tela de loading do jogo. E se segura pra não dormir. Se tu tiver com sono, é tiro e queda.

VIDEOCLIPE: Só uma pergunta. Não tinha impressora/photoshop pra fazer essas fotos autografadas não? Logística mandou lembranças.



07 - Superheroes



VIDEOCLIPE: Com um estupendo show programado para rolar em um estádio de futebol, os Crescendolls chegam ao lugar em um dirigível. E quem vem lá?

O nosso querido Shep (pesquisei o nome dele). Puta merda, ele é o SUPERHERO do título, perceberam?


Uma bela referência à Exterminador do Futuro ali no final, mas fiquei triste com o tiro que o Shep levou ):



08 - High Life



VIDEOCLIPE: Stella, a única que não fugiu, está vivendo a "High Life", com desfiles, limousine e até uma indicação ao Grammy genérico, concorrendo contra os genéricos do Led Zeppelin, os genéricos do Abba e O DAFT PUNK *O*

Sério, que participação maneira. Sempre achei que os capacetes acendessem desse modo em todo momento, em shows e tal.


09 - Something Abouts Us



Facilmente uma das músicas mais lindas que eu já ouvi. Esse ritmo funkadélico meio triste combina perfeitamente com o CD e sua vibe disco enquanto que também coloca alguma melodia nas letras. Tudo aqui tem um sentido mais triste, como se o cantor estivesse vendo pela última vez a pessoa que ele ama, por isso ele precisa contar o seguinte segredo:

"I need you more than anything in my life
I want you more than anything in my life
I'll miss you more than anyone in my life
I love you more than anyone in my life"


Preciso falar mais?

VIDEOCLIPE: ...



10 - Voyager



Ritmo completamente Disco, Amaury Junior, festas. É um instrumental que eu gosto, com mais efeitos psicodélicos e lúdicos na música que, facilmente, me fazem viajar enquanto escuto.

VIDEOCLIPE: O clipe mais bonito de todos, casando perfeitamente com a música. O "Voyager" (viajante em francês), Shep, faleceu, e os Crescendolls precisam enterrá-lo. Porém, a viagem até um lugar bonito para fazer o enterro acaba transformando a banda nos Voyagers.

E um belo conceito esse de que o alienígena, quando morto, vira uma estrela eterna.

11 - Veridis Quo



Essa é uma música curiosa. Ela, oficialmente, é apenas uma melodia instrumental, sem voz. Mas perceba que o teclado tocado, no exato ritmo e tempo, parece uma voz falando "Veridis quo, veridis quo". Mais pontinhos de criatividade pro Daft Punk.

VIDEOCLIPE: VERIDIS QUO significa, porcamente, "Onde verde". Enfim, como eu tinha teorizado, o Earl de Darkwood é antigo e cria ídolos da música já faz anos. É uma ideia tão maneira não?

Já pensou Beatles, Elvis, Beethoven, Ella Fitzgerald, todos fossem aliens fabricados para ser famosos?


12 - Short Circuit



Me fala se essa não é a música que seu tio usava pra azarar umas gatinhas no baile? Você não precisa encontrar sentido na música, apenas dançar ao som dela. Isso até o som ficar BUGADAMENTE foda, como se você estivesse tão rápido que a melodia nos seus ouvidos foi sendo esticada, ficando lenta, até não ser mais reconhecível.

Inclusive, se tu não percebeu, a maioria das músicas aqui não quer te fazer pensar, mas sim DANÇAR. Então  dá play ali em cima e pratique a arte de dançar sozinho um pouco ;)


VIDEOCLIPE: Um easter egg são os times jogando. França e Japão, justamente os dois países que "criaram" esse filme, através do Daft Punk e de Leiji Matsumoto.



13 - Face to Face



Mais uma letra bem elaborada, com uma bonita voz a cantando. (Vozes sintetizadas são maravilhosas).

Pela letra, podemos supor que estão nos dizendo para parar de depender de nos escondermos. Temos que ir descobrir (heh?) o mundo à nossa volta, descobrir novas amizades, novos caminhos. Igual uma criança descobre o mundo à sua volta. Cara a cara.

VIDEOCLIPE: MEU DEUS OLHA A NAVE DO SHEP DE NOVO );

Uma conclusão maneira pro filme, a Terra aparentemente aceitou os aliens de pele azul e ainda os idolatram. Depois gastam toda a fortuna da NASA para os mandar de volta pra...MEU DEUS, QUAL O NOME DO PLANETA DELES?!?!?

14 - Too Long



Como uma piadinha infame, justamente essa música tem DEZ MINUTOS de duração. E sinceramente, foda-se. Ela é incrível, tem diversos "estágios", parece uma música saudosa. Não sei se essa opinião se baseia no videoclipe, mas sempre tenho a sensação dessa ser uma música de despedida, como se tudo fosse acabar.

Pela letra, podemos também enxergar como se fosse o adulto que, após 13 músicas FODÁSTICAS, só entendeu agora que ele precisa voltar à infância, se soltar, tomar controle da vida.

"My mind is set so free
I'm where I want to be
To get the best of me"


A pessoa, por muito tempo (too long) esteve se segurando, vivendo a merda de vida adulta, sem qualquer festa, alegria, sem se soltar. E o CD é basicamente sobre isso. Se descubra, se solte, deixe de tentar achar sentido em tudo, de ser racional, de funcionar na base de contas. Aceite algo como bom simplesmente porque te contagia, se entregue. Liberte sua mente, esteja aonde você quer estar, tenha o melhor de si mesmo.

VIDEOCLIPE: Após uma longa jornada, eles voltaram. Estão cansados, afinal, "It's been too long". Shep é devidamente homenageado, e eu me emociono foda em todas as partes que ele aparece. O pôster no teto, ele salvando todo mundo do Earl, o cockpit com ele no comando como um flash, a estátua...

E o final né?

PUTA MERDA, o final é exatamente o quê o álbum se propôs a ser: uma viagem à infância. A inocência da criança dormindo enquanto ouve o LP de Discovery, rodeado de bonecos. Exatamente a minha infância, exatamente a minha saudade.


Novamente:

PORRA DAFT PUNK!!! ;_;


Conclusão Final:
Este álbum tem muito a ver comigo. Por mais que a época a qual eles se referem não seja exatamente a MESMA que a minha infância, o álbum acabou sendo lançado justamente quando eu tinha 7-8 anos. Ou seja, o tributo que eles fizeram à infância DELES, acabou sendo a MINHA infância.

Principalmente por eu assistir seus videoclipes na TV. O foda é que, sabe-se lá porque, mas a Fox Kids só passava os clipes de One More Time, Aerodynamic, Digital Love e Harder Better Faster Stronger. O RESTO NADA, então eu ficava completamente aflito e triste de não ver o resto daquela história, o que teria acontecido com o astronauta maneirão.

O Daft Punk ganhou toda a fama e créditos que eles tem até hoje com esse projeto CD/Filme. As músicas mais famosas, a identidade robótica, os fãs infanto-juvenis. E é pelo álbum falar tanto de uma época mágica e me lembrar de uma incrível infância que eu o considero meu álbum favorito de todos, e por isso que eu digo:

Nota Final: 10/10






Bibliografia:

Wikipedia: http://en.wikipedia.org/wiki/Discovery_(Daft_Punk_album)

Song Meaning: http://songmeanings.com/artist/view/songs/733/

Vagalume: http://www.vagalume.com.br/daft-punk/

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