quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Semana Daft Punk: Parte 2 - Homework (1993)


Saudações punkianas. Quem vos escreve é, advinha só, o Adler, e vou falar hoje sobre o primeiro CD da duplinha mais famosa da frança, Déft Póunq

Colocarei todas as músicas aqui, analisarei suas letras (quase nenhuma tem letra, mas dá pra enrolar algo sobre todas), se tiver videoclipe também o analisarei e no final dou uma nota para o CD. OKAY?

Ficha Técnica:
Nome: Homework
Lançamento: 20/01/1997
Duração: 73m:53s
Gravadora: Virgin Records
Produtores: Thomas Bangalter, Guy-Manuel de Homem-Christo

Gênero: House, Techno, House Progressivo

Breve Resumo:

O Daft Punk conseguiu lançar seus primeiros singles com a ajuda de Stuart Macmillan, que tinha uma gravadora e, após ouvir a fita demo dos rapazes, achou seguro apostar neles. Os singles lançados foram "The New Wave" (mais tarde trasformado em "Alive"), "Da Funk" e "Rollin' & Scratchin". Estes singles fizeram um singelo sucesso, o que iniciou uma certa guerra entre as gravadoras para saber quem lançaria o primeiro álbum dos franceses. No final, quem conseguiu ganhar e levar a dupla consigo foi a Virgin Records, que chegou a re-lançar "Da Funk" com a música "Musique", em 1996.


Franceses segurando baguetes: que criativo O:
Segundo Bangalter, o motivo por ter escolhido a Virgin foi a liberdade. Entre todas as ofertas que apareceram de diversos selos, o grupo francês se baseou na liberdade criativa para escolher uma. Para a banda, o poder de fazer o que quiser com a própria música/visual é mais importante que o dinheiro oferecido. Assim, em 97, Homework era lançado.

Significado do Álbum:

Como primeiro grande projeto deles, a dupla decidiu que, apesar de não terem um tema oficial para o disco, eles usariam toda a liberdade adquirida com a Virgin para promover as músicas como bem entendessem. Isso rendeu excelentes videoclipes com temática inusitadas.

Como um todo, o álbum não chega a representar muita coisa. No começo você acha que o CD inteiro vai ser ambientado nas ruas, tendo em vista que as 4 primeiras músicas de alguma forma se interligam através de uma atmosfera urbana, o rádio de "WDPK 83.7 FM", os gritos de pessoas e polícia em "Revolution 909", o videoclipe de "Da Funk". Porém, após a quarta música, as coisas começam a parecer aleatórias. Não é a toa que Thomas disse que eles nunca pretenderam lançar todas essas músicas juntas em um álbum, elas foram feitas em momentos diferentes com pensamentos diferentes.


No fim, o álbum é uma grande coletânea de experimentos instrumentais e de house puro, uma música crua e bem mais técnica do que "contagiante", tirando o hit supremo "Around The World".




As Músicas

01 - Daftendirekt


A estreia da dupla em um álbum vem com essa faixa que possui uma característica marcante e que se repetirá em todos os álbuns no futuro: a repetição incessante de uma frase/verso. É uma certa brincadeira com a língua. Já ouviu falar de saciedade semântica? É quando você repete TANTO uma palavra que ela perde o seu sentido original e vira apenas um som, um conjunto de fonemas. Aqui, e em várias músicas do Daft Punk, esse efeito acontece e transforma os vocais da canção em uma melodia própria, um outro som que combina com os instrumentos sendo tocados.

A propósito, a tal frase repetida é: "Dafunk back to the punk come on".


02 - WDPK 83.7 FM


A brincadeira dessa música é que esse começo dela, na verdade, seria o "fim" de uma canção que acabou de tocar na rádio, nesse ritmo lento e repetitivo. Tanto que o locutor da rádio entra logo depois pra apresentar e introduzir o álbum. Engraçado notar que essa voz sintetizada do começo está cantando: "Music, Music, Music...".



03 - Revolution 909****


Das 4 músicas iniciais, definitivamente a que mais representa essa ambientação urbana. Temos o que parece ser uma reunião de pessoas festejando, uma música baixa rolando. Do nada uma voz mais autoritária, até mais robótica, ordena para todos: "Stop the music and go home".

Podemos ver dois sentidos nisso. O literal, da polícia interrompendo uma festa, provavelmente por causa do barulho. E o mais político, como uma crítica ao sistema que tenta calar a boa música. É claro que essa última interpretação é um pouco exagerada, como se buscasse duplo sentido em tudo, mas não é uma teoria a se descartar. Perceba que o sistema, a polícia, tem a voz robótica, uma voz não-humana. Enquanto a população, ao ver isso, se dispersa aos gritos, como se estivessem extremamente assustados com a aproximação dos robôs. Uma reação um tanto exagerada para simples policiais, e talvez seja essa a intenção mesmo.

Segundo Thomas, a abertura da música é uma crítica à como o governo francês tem tratado as raves:

"Eu não acho que é da música que eles estão atrás, são as festas ... Eu não sei. Eles fingem que é a droga, mas eu não acho que é a única coisa. Há drogas em toda parte, mas eles provavelmente não encontrariam um problema se a mesma coisa estivesse acontecendo em um concerto de rock, porque é isso que eles entendem. Eles não entendem que essa música que é muito violenta e repetitiva, que é o House, pois eles a consideram burra e estúpida."


Porra, olha que videoclipe maneiro. Ele foi dirigido por Roman Coppola, filho do Francis. É de fato criativo e acaba sendo completamente inusitado, levando o telespectador à sair do pensamento em que estava (policiais e festa) e aprender algo novo, como por exemplo o trajeto do tomate desde a semente até o spaghetti.

PS: Roman Coppola confessou que o clipe é desta forma pois ele sempre quis fazer um vídeo de instruções.



04 - Da Funk


Já começamos analisando que as palavras "Da Funk" podem muito ser uma brincadeira com a gíria "Da Fuck", abreviação de "What the fuck"

Algo que só se nota ouvindo o CD mesmo é que essa e a música anterior parecem ser conectadas, como se no final abrupto de Revolution 909 a "cena" cortasse para Da Funk, mais uma vez com seus sons de sirenes, sua ambientação urbana.


Mais um clipe adicionado à galeria do Daft Punk, e esse DE FATO tem uma história. Olha só que maneiro: conhecemos Charles, um rapaz de perna quebrada, muleta, um rádio na mão e o que parece ser a pior representação de um cachorro em uma máscara. Este bróder canino anda pela cidade em uma noite qualquer, no que parece ser uma crise de carência. O problema é: NINGUÉM quer interagir com Charles (talvez porque sua cabeça enorme pareça um tumor mastigado por Belphegor). Nem mesmo a TIA DA ENQUETE DA RUA.

Isso muda quando o companheiro aí encontra sua amiga cadela (ela tava flertando com um cachorro, estou apenas seguindo a lógica). Eles parecem ser amigos de longa data, e botam o papo em dia enquanto caminham na calçada. A cachorra convida Charles pra ir em casa assistir um Animal Planet depois da meia-noite, e ele como todo bom virjão soon to be focker diz SIM. Eles estão indo pegar o ônibus, com a cachorra já dentro, quando Charles vê que não é permitido entrar no veículo com rádio. Por algum motivo de força maior, o rádio é sua alma, e ele não pode o largar. Assim, a porta fecha, e a esperança de umas fodidas debaixo dos cobertores vai embora junto com o ônibus. Charles, como o bom merda que é, volta pra sua noite.

O filme, intitulado Big City Nights, foi dirigido por Spike Jonze. Eu ia fazer mó viagem pra explicar o rádio, o cachorro, o sexo, mas veja bem, o próprio Thomas já disse: essa porra não tem duplo sentido. É um cachorro andando por Nova York com seu boombox. APENAS ISSO.



05 - Phoenix


Sabe o que é isso? Eu tentando encontrar algo pra falar dessa música instrumental e que me deu sono. Isso vai se repetir bastante daqui pra frente. Bem, se quer alguma informação inútil, eu fiquei achando que a parte "cantada" (mais parece um som alienígena bizarro) estava falando "Se mata, se mata, se mata...". Creepy as hell.




06 - Fresh


Também me deu sono, mas não no sentido ruim. É talvez a única música do álbum que me relaxa por completo. O barulho do mar no começo e no fim (e bem baixinho durante a música) é uma experiência gostosa. Mixar os sons das ondas com as batidas do house foi uma "brincadeira" para Thomas e Guy, e eu aprovo.



Olha só quem voltou! Para a alegria de todos aqueles que torceram por ele, Charles agora tem uma vida bem sucedida: é ator de comerciais famosos, conhece o próprio Spike Jonze, que o dirigiu neste comercial, anda de terno por aí, tem amigos e ainda namora a cachorra do outro dia. Uma pena sua cabeça ainda parecer um Bubbaloo de merda. O Daft Punk que dirigiu este novo clipe, e alegaram que somente o fizeram para dar um final feliz para o personagem que todos tiveram pena.



07 - Around The World


AGOOOOOOOOOOORA SIM. Tu aguentou 6 faixas "mais ou menos" pra chegar aqui e lembrar por que tu gosta de Daft Punk. O refrão repetitivo vem com uma alteração de voz impecável, é realmente um robô falando no seu ouvido, e que bela voz hein?

O teclado psicodélico encaixa como uma luva com o modesto baixo, a bateria constante e a voz sintetizada. Tudo isso se torna um hit impossível de não contagiar. Uma salada de elementos que deu tão certo que rendeu um videoclipe tão genial quanto a música...


Talvez demore pra você sacar, mas esse é o videoclipe MAIS GENIAL FEITO EVER. Se ficar difícil de saber porquê, eu explico:

Perceba, antes de tudo, que o "palco" é redondo e tudo acontece girando em volta dele, como se fosse um grande vinil. Depois disso, a característica mais foda do clipe inteiro. Cada grupinho de personagens aqui (ombrões, nadadoras coloridas, homens-formigas robôs, múmias, caveiras) representa um instrumento diferente na canção.

Os ombrões são o baixo, as nadadoras o teclado psicodélico. Tanto que, quando um desses instrumentos vai crescendo nas notas, o grupo equivalente sobe as escadas, e desce depois se a música também reduzir o tom.

Os robôs só marcham quando a voz (robótica) está cantando.

As múmias se mantém deitadas, com alguns movimentos rápidos nas pernas, como é a percussão desta faixa. As caveiras representam a guitarra singela.

O clipe é dirigido por Michel Gondry ("Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças") em segundo o mesmo, foi feito deste modo pois o diretor estava cansado de coreografias vazias e sem qualquer significado para os videos da época. Para ele, coreografias não devem ser filmadas em closes, editadas. Deve ser algo amplo, com tudo funcionando junto como engrenagens.



08 - Rollin' & Scratchin


Sons, sons e sons.Como eu disse, todo o álbum é experimental, então eu nem deveria reclamar por encontrar uma música sem letra nem alguma diferença no ritmo. A diferença de tons do "scratch" principal é de alguma forma emocionante, pois você sabe o que cada distorção quer dizer.



09 - Teachers



Um conceito interessante. Aqui, Daft Punk abre completamente seus corações e revelam suas inspirações/ídolos, cantando o nome de diversos DJs que muito provavelmente influenciaram o duo à fazer seu som. Teachers, os professores, recebendo sua homenagem.




10 - High Fidelity




Está claro que se você gosta de saciedade semântica, este álbum foi feito para você. Além da percurssão e do baixo baixo (sim, baixo baixo), os instrumentos da música são todos vozes repetidas à exaustão. Uma música feita com trechos que nem chegam a terminar.


PS: Em todo site que leio está escrito que a mulher canta no começo: "the new vaga...bond". Agora me diz, AONDE parece isso?




11 - Rock'n Roll




Pode pular pra música de baixo.




12 - Oh Yeah




Música curta, saciedade semântica um pouco diferente já que as repetições são mais lentas, demoradas. É um saco de música.




13 - Burnin




É uma boa música apesar de tudo. O problema é que só parece um repeteco das anteriores, sem nenhuma frase pra se diferenciar das outras, essas percussões também aparecem pelo álbum todo, dificultando a caracterização da faixa.




Aparentemente o Daft Punk tem bom senso de humor, pois, olha só, o videoclipe de sua música, Burnin, é sobre, adivinhem, um incêndio!


O rapaz sempre curtiu apagar o fogo. Cresceu, virou bombeiro, apagou o fogo de uma festa e se tornou herói. Fim, próximo clipe que eu tô com sono.



14 - Indo Silver Club




Bacana e um pouquinho diferente das outras.




15 - Alive




A música que supostamente deu início a tudo isso. O demo entregado à Stuart Macmillan e também o primeiro single lançado pelo Daft Punk, que o fez ser desejado em diversas gravadoras.


Bem simples para algo que causou tanto.




16 - Funk Ad




Música extremamente curta, e que parece estar sendo tocada ao contrário. Talvez um indicativo de que tudo começa de novo? Ciclo infinito? Viagem do Adler?




Conclusão Final:
Um álbum bom, com algumas boas músicas, mas a visível falta de concordância entre as diversas faixas e a repetição de batida que muitas tiveram acabam me desanimando. Eu nunca escuto esse CD, já sabendo de tudo isso. No máximo Around The World no celular, e só. Os videoclipes, por outro lado, ajudam a dar uma incrementada em algumas músicas.

Foi o primeiro álbum afinal, eles nem tinham a identidade visual robótica, então não posso exigir muito. Podemos considerar este CD como teste de campo, para ver os moldes que usariam dali pra frente. Não entendo MESMO o quê muitos enxergam de maravilhoso e quase perfeito neste disco, parece ser mais nostalgia do que análise em si.


NOTA: 5/10







Bibliografia:

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