terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Semana Daft Punk: Parte 1 - A História


Mas olá você aí!

Seria você um leitor novo que caiu aqui pela coincidência de eu estar falando de Daft Punk, a sua (suponho) "banda" favorita? Mas fique a vontade e sente-se onde quiser, tem refrigerante na geladeira e umas coxinhas no microondas.


Mas pra você, que é lobo velho, leitor antigo, whynoteiro de plantão: FALA MALANDRO.

Como podem ou não saber, eu dedicarei esta semana (entre os dias 03 e 07 de Fevereiro de 2014) à minha banda SUPREME. Essa eu posso bater no peito e clamar: "MINHA banda"

E pra começar, temos talvez o maior post desse especial. Aqui, contarei a história deles, influências, curiosidades e tudo mais o que eu achar de pertinente. Então bote seu headphone e dá play nesse post :)



Índice
No acaso de você querer pular alguma parte e ir direto para o tópico que lhe interessa, um CTRL+F maroto e procure por aqui embaixo:

  1. Introdução
  2. Pré-Daft Punk
  3. Lição de Casa: O Começo
  4. Descoberta: A Fama
  5. Humanos, após tudo
  6. Hiato: Vivo ao vivo e etc.
  7. Memórias Acessadas Randomicamente: A Glória



1. Introdução
Daft Punk é uma dupla francesa de música eletrônica. Mais simples que isso impossível. Porém, é claro que os dois não se resumem à isso.

Formado por Thomas Bangalter (o robô prata) e Guy-Manuel de Homem-Christo (o robô dourado, e sim, ele tem esse nome pentatônico), eles iniciam suas raízes musicais desde os anos 90. De lá pra cá, sua música foi evoluindo do simples house experimental para um tributo ao disco nos dias de hoje.

O diferencial deles é sua temática robótica levada a sério. Simbolizando a evolução das músicas, o Daft Punk é uma das bandas que mais investe no "espírito visual" de sua música. Mais do que simples hits, eles produzem conceitos, abraçam sempre uma ideologia visual e aplicam este design em tudo o que fazem, desde aparições públicas até seus shows, tidos como uma das performances mais visuais e envolventes de toda a música eletrônica.




2. Pré-Daft Punk (87-93)
Antes de serem dois robôs mestres do eletrônico, Thomas e Guy eram apenas dois arruaceiros  parisienses que se conheceram no colégio Lyceé Carnot aos 13 anos (!!!). Aparentemente, foi aí que ambos se tornaram melhores amigos e também onde experimentariam as primeiras tentativas na música, gravando demos em suas fitas hipsters.

1992, logo após virarem hominhos, eles criam uma banda chamada Darlin' com Laurent Brancowitz. Com uma influência de Beach Boys e Rolling Stones, esta banda chegou a fazer alguns covers, além de algumas músicas originais. Lançou seus demos e abriu shows no Reino Unido, mas nada que os levasse à fama que a dupla tem hoje. Com uma vida de 6 meses, Darlin' logo se desfez e cada um tomou seu rumo. Enquanto os dois conhecidos se voltaram para os experimentos com a música eletrônica, Laurent formou a banda Phoenix (que de nome é familiar, mas não lembro de nada que tenham feito).



Pra nossa sorte, esse fracasso viria a ser um presente para o mundo. 


"Capa" de um cd demo da Darlin. Comparado com as capas dos álbuns atuais da dupla, isso aqui é papel de bala.





3. Lição De Casa: O Começo (Anos 90)
Por causa de uma crítica de uma revista especializada, que chamou a música da banda antiga de "a daft punky thrash" (algo como "um lixo punk estúpido), Thomas e Guy, além de aceitarem a crítica, tomaram os adjetivos dados e fizeram deles o seu novo nome: Daft Punk. Guy brinca dizendo que eles se esforçaram tanto para encontrar um nome (Darlin') e este cara chega e em instantes define um novo nome para eles.

Com essa nova alcunha, a dupla francesa resolveu ir para o caminho das músicas eletrônicas, muito influenciados por seu amor por "synthpop", um gênero eletrônico que usa bastante o sintetizador. Esse instrumento seria a peça chave de todas as suas músicas dali para frente, além das drum machines (aparelhos que faziam as batidas da bateria com o tempo desejado).

Em uma rave, em 1993, ambos conheceram Stuart Mcmillan. A oportunidade foi aproveitada e eles entregaram uma fita-demo para o produtor, contendo o que seria o primeiro single deles, "The New Wave". Esta teve um lançamento limitado, onde poucos sortudos botaram as mãos nesse que era o primeiro trabalho oficial do Daft Punk. Por sorte, a música, após alguns retoques, acabaria virando "Alive", do álbum de estreia.


Primeiro single lançado, raridade máxima.

Após isso, eles gravaram também "Da Funk", single que fez mais sucesso e foi igualmente incluído no álbum Homework. Esses dois singles se juntaram ao apoio que ganharam de outra dupla eletrônica famosa, os Chemical Brothers. Estes pediram para o Daft Punk remixar uma de suas músicas, "Life is Sweet", que seria incluída no CD de estréia dos britânicos. Assim, os dois robôs já tinham toda a fama e a curiosidade do público necessária para que lançassem seu álbum de estreia. E assim veio, em 1997, "Homework", CD feito após assinarem com a Virgin Records como sua gravadora e Pedro Winter como empresário, companheiros que dariam à dupla a liberdade criativa que desejavam desde o início.



Com o novo visual robótico que os acompanharia até os dias atuais (e que será dissecado mais pra frente), Thomas e Guy abraçaram o sucesso de quase dois milhões de álbuns vendidos. E isso não foi nada esperado por eles, pois todas as faixas foram produzidas sem a intenção de formarem um álbum. A maioria das cópias era em vinil, uma exigência da dupla e seu amor pelos anos 70.


No começo, eles improvisavam com máscaras diversas, como essas de plástico transparentes. BONS SONHOS :3

Com excelentes críticas positivas e a façanha de "reviver o French House" naquele ano, esta primeira experiência de sucesso impulsionou a dupla a se esforçar ainda mais e lançar, nos anos seguintes, álbuns e singles que superariam qualquer expectativa.

Podemos destacar "Da Funk", "Rollin & Scratchin" e "Alive" como grandes hits do álbum, e coroar a óbvia "Around The World" como A MÚSICA de Homework.



Seus clipes ficaram conhecidos por serem diferentes, igualmente experimentais. Parecendo os comerciais da MTV, saca?
E pra isso eles contaram com a ajuda de gente GRANDE. Alguns dos diretores que conduziram os videoclipes são Spike Jonzy, Michel Gondry, Roman Coppola. Uma coletânea destes vídeos mais tarde seria lançada com o nome de "D.A.F.T: A Story About Dogs, Androids, Firemen and Tomatoes"




4. Descoberta: A Fama (Início Século 21)
Com a "lição de casa" devidamente feita, o Daft Punk agora sabia que precisava ralar ainda mais para entregar aos fãs que ganharam em seu último trabalho algo novo, mostrar que podiam inovar e entregar algo melhor. O que acabou acontecendo, no entanto, foi algo inesperado.

"Discovery" foi lançado em 2001, com dois anos de preparo e gravações. O som deste novo álbum, para um descontentamento inicial dos fãs antigos, não tinha nada do house experimental de antes. O pop sintetizado, com vozes distorcidas e ritmos completamente voltados para o disco, afastou momentaneamente quem vinha de Homework, esperando a mesma vibe house, mas por outro lado, conseguiu inúmeros novos fãs.



O motivo para essa troca de sintonia foi, segundo o próprio grupo, uma tentativa de se reconectarem com a infância que tiveram e todas as DESCOBERTAS (heh?) dessa época. Por isso, as faixas aqui são mais alegres, animadas, todas com uma sensação de sonhar acordado, de nostalgia.

E voltando a falar dos novos fãs, talvez a razão de tudo isso seja, além da qualidade que as músicas tem sozinhas, o FILME escrito pela dupla, projetado para ser uma história "muda", contada através de todas as 14 faixas do CD. Isso também explica o porquê de tantas crianças terem se apaixonado pela dupla, afinal, esses videoclipes em forma de anime passavam em exaustão em canais infantis pagos.



E vamos falar breve desse filme certo? (Me adentrarei mais dele no post dedicado ao álbum)

O Daft Punk chamou ninguém menos do que Leiji Matsumoto, famoso criador de séries de animes e mangás e TAMBÉM herói de infância de Thomas e Guy, para co-produzir "Interstella 5555: The 5tory of the 5cret 5star 5ystem". Ele é conhecido por suas óperas espaciais, como Space Battleship Yamato, Cosmo Warrior Zero, Submarine Super 99, Gun Frontier, etc. O roteiro foi escrito pela dupla francesa, supervisionados por Leiji, que também desenhou os personagens. Por fim, a Toei distribuiu o filme.

Como dito anteriormente, o filme é, na verdade, a junção dos 14 videoclipes do álbum, que são propositalmente interligados e possuem continuidade.



Até então, o álbum vendeu pouco mais de um milhão e meio de cópias, o que não supera ao todo o álbum anterior, mas superou em disparada nos EUA.

Em uma entrevista, Thomas, que sempre acaba sendo o porta-voz da dupla, disse:

"Este álbum tem muito a ver com a nossa infância e as memórias do estado em que estávamos nessa fase de nossas vidas. É sobre a nossa relação pessoal com esse período. É menos um tributo à música dos anos 1975-1985 como uma era e mais sobre o foco no momento em que tínhamos entre zero e dez anos de idade. Quando você é uma criança você não julga ou analisa a música. Você só gosta dela porque você gosta dela. Você não está preocupado com o fato de que é legal ou não. Às vezes, você pode se relacionar com apenas uma coisa em uma música, como o som da guitarra. Este álbum tem um olhar brincalhão, divertido e colorido na música. Trata-se da ideia de olhar para algo com uma mente aberta e não fazer muitas perguntas. É sobre o verdadeiro, simples e honesto relacionamento que você tem com a música quando você está aberto a seus próprios sentimentos."



Além do já linkado One More Time, que é definitivamente a maior e melhor música deste projeto todo, temos "Harder, Better, Faster, Stronger", que também disputa o posto de maior hit do CD, "Digital Love", "Too Long", "Something About Us", etc. Um álbum feito de hits prontos para serem dançados.



Com isso, o Daft Punk tinha chegado ao auge de sua fama, sendo conhecido mundialmente não só pelos adultos como também por crianças e adolescentes.




5. Humanos, após tudo (04-08)
Pouco tempo após o lançamento do filme com Leiji Matsumoto e de seu primeiro disco de show (Alive 1997), a dupla levou seis semanas para criar novo material para um novo álbum. Com isso conseguiram "Human After All", em 2005. Mais do que um trabalho do Daft Punk, este CD é o mais controverso de todos os lançados por eles. Os fãs criticaram o pouco esforço e tempo que a dupla francesa teve para fazer o disco. Músicas repetitivas e com pouca finalização deixaram o álbum todo com cara de mal acabado, enquanto que os próprios DJs alegaram que o motivo de tão pouco tempo para finalizar Human After All foi justamente o "ás na manga" dele: sua improvisação.



Seguindo o que parecia ser uma tradição na história do grupo, eles lançaram um filme chamado "Electroma". Com pouco mais de 70 minutos de duração, conta a história de dois robôs (idênticos ao Daft Punk) e sua jornada para se tornarem humanos. A própria dupla escreveu e dirigiu o filme, que foi bem recebido não só por fãs como também por especialistas do cinema. Para quem estiver interessado em conhecer essa obra completamente experimental e sem nenhum diálogo (nem a trilha sonora do filme é da banda), fica o link aí embaixo.

Filme inteiro pra quem tá coçando a bunda aí.

Para a banda, o final dos anos 2000 ia se consagrando como um período cheio de inovações, poesias em forma de clipes, simbolismos, um certo teor filosófico mais presente do que nunca. Foi o que chocou todos os entusiastas que vinham com o álbum Discovery na mente e esperavam encontrar o mesmo clima de festa e nostalgia presente, o quê foi uma certa ignorância sabendo como a dupla valorizava a mensagem que queriam passar acima do lucro obtido. Em vez de apostarem na mesma fórmula, trouxeram algo novo, e querendo ou não, o público precisava aceitar essa nova empreitada.







6. Hiato: Vivo ao vivo e etc (07-11)

Levariam-se 8 anos para o grupo lançar algum disco de estúdio novo. Por sorte, ambos encontraram muitas coisas para fazer enquanto preparavam sua obra-prima. Começamos em 2007 com o aclamado e premiado CD da turnê "Alive 2007", gravado em Paris. As faixas aqui são remixes e fusões de todos os títulos de seus três álbuns anteriores. Misturas que acabaram dando certo, só provando a capacidade de remix e sintonia que essa dupla tinha. Ganhou o Grammy de "Melhor Álbum de Eletrônica/Dance" em 2009. Os shows dessa turnê, inclusive, eram FODÁSTICOS, com os dois se apresentando dentro de uma pirâmide, e o palco inteiro tinha efeitos visuais como luzes, leds e telões, tudo nas habilidosas mãos de Thomas e Guy.





Daft Punk, para uma agradável surpresa, apareceu no jogo DJ Hero. Este, além de contar com 11 faixas da banda para serem tocadas, tinha a dupla como personagens jogáveis.






Quer mais trabalho avulso ainda? Foi anunciado na Comic-Con de 2009 que esta querida banda, esta mesma, iria fazer a TRILHA SONORA de Tron: Legacy. De cover de Beach Boys para trilha sonora de filme nível A da Disney, pode-se afirmar, eu ACHO, que eles acertaram em cheio. E não vá pensando que o filme ficou uma merda por causa disso. O filme ficou uma merda (pro público em geral, eu amo pra caramba) sim, mas a única coisa que salva (novamente, na opinião da massa babaca) foi a fantástica trilha sonora orquestrada por Thomas e Guy. Advinha quem eu sorriu quando viu que os dois fizeram uma aparição especial no filme, tocando a segunda melhor música de toda a trilha.






Tipo, COMO NÃO TIVERAM ESSA IDEIA ANTES?! ALGUÉM DÁ UM BEIJO NO VALDISNEY POR ESSA IDEIA!!!





7. Memórias Acessadas Randomicamente: A Glória (2013)
Depois de duas década inteiras com uma carreira bem sucedida, foi decidido que este aniversário seria coroado com um tributo. Sim, o próximo álbum de estúdio do grupo viria recheado de colaboradores especiais e com uma ideia: uma homenagem ao disco do final dos anos 70 e começo dos anos 80, dessa vez falando da MÚSICA da época, diferente de Discovery que mais abordou a infância do duo. O hype em cima desse novo CD era absurdo: eles tiveram 8 anos para trabalhar este novo projeto, e quando os nomes Giorgio Moroder, Pharrel Williams, Nile Rodgers e Paul Williams foram anunciados não somente como participações especiais, mas como co-produtores/escritores, já era sabido que teríamos uma obra-prima.

E em 17 de Maio de 2013, foi lançado "Random Access Memories". Este álbum foi diferente de qualquer outro feito antes: o Daft Punk contratou músicos de verdade para tocarem todos os instrumentos usados no estúdio, onde gravariam sem quase nenhum instrumento eletrônico além da máquina de bateria, o sintetizador modular e vocoders.


Em 14 faixas, a dupla conseguiu criar o seu melhor álbum de todos, aclamado pela crítica e por todos os fãs (antigos do Homework, as crianças crescidas de Discovery, os ravezeiros de Alive). Os meses que antecederam o lançamento foram repletos de boatos e segredos por parte do grupo, que lançava de pouco em pouco alguma propaganda nova, uma imagem promocional, um clip de poucos segundos. Quando o primeiro single foi finalmente revelado, o próprio duo não se encontrava na performance. Estavam ali somente Pharrel e Nile, tocando aquela que se tornaria a música mais consagrada de 2013 (e a mais repetida sem algum motivo também), "Get Lucky". Para completar, uma web-série foi lançada com um capítulo novo por vez, cada um entrevistando uma das personalidades que estava colaborando com o álbum. Giorgio Moroder, o "pai" dessa homenagem, falou sobre como resolveu usar os sintetizadores nas músicas (e trechos dessa conversa seriam usados na faixa ÉPICA "Giorgio Moroder").


Este era apenas o início do "Ano do Daft Punk". Eles ainda lançariam os singles "Loose Yourself to Dance" e "Instant Crush", este último com os vocais de Julian Casablanca, líder dos "Strokes". É preciso se recomendar, também, as faixas "Game of Love" (cantada com a icônica voz sintetizada da dupla), "Touch" (uma bela música escrita e interpretada por Paul Williams), "Fragments of Time" (com colaboração vocal e criativa do amigo de longa data Todd Edwards).

Com quase um milhão de cópias vendidas apenas nos EUA, esta foi de longe a obra-prima dos franceses. E como todo rei, a coroa veio com os Grammys ganhados neste ano. Nomeado à 5 prêmios, ganhou todos eles,como "Gravação do Ano", "Melhor Performance Pop em Duo/Grupo", "Melhor Álbum de Eletrônica/Dance", "Melhor Álbum Projetado" e o grande "Álbum do Ano". O time-criativo completo foi no palco agradecer pela estatueta, mas nada apaga o lindo momento onde dois robôs se tornam humanos e se abraçam.






E bem galera, foi isso. Eu passei, literalmente, o DIA escrevendo, lendo e pesquisando tudo para fazer este post. Faltaram as curiosidades e a análise da banda, mas eu queria entregar o post no dia prometido (apesar de serem, agora, 00:08 da terça-feira). Vamos deixar essa parte que faltou para a sexta, depois de todos os álbuns terem sido devidamente dissecados um por um.

O texto tá grande, mas tem música e imagem, não chora. Agradeço MUITO se puder compartilhar com seus amigos esse trabalho tão árduo e apaixonado. Se não fosse por essa dupla, eu não teria ido tão longe.

Então aproveitem essa TROJOBONA de post e conheçam mais deste grupo/banda/duo/dupla de djs franceses que acolheram meu pequenino coração.

Um abraço robótico para vocês.

LEMBRANDO: ESTE POST É UMA DEDICAÇÃO DE AMOR À DUPLA DAFT PUNK. TUDO DIVULGADO AQUI É DE AUTORIA DELES, TODOS OS DIREITOS RESERVADOS.

Bibliografia:
-Wikipediahttp://en.wikipedia.org/wiki/Daft_Punk

-Omeletehttp://omelete.uol.com.br/daft-punk/musica/especial-historia-do-daft-punk/#.UvAlUz1dWUg

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