segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

OFF Zueira: Eu e Deus

Boa segunda-feira nobre viajante.

Espero que o trajeto até aqui tenha sido tranquilo. Começamos a semana finalmente voltando aos trinques, então pode voltar a acessar o blog diariamente como você fazia (claro que fazia :3).

Inclusive, preciso deixar o post no Facebook bonitinho, então peço licença para adicionar uma imagem aleatória e chamativa aqui embaixo.



E bora começar então. Cheguei à um tema hoje o qual eu sempre quis falar, mas nunca lembrei que existia. Se refere à Deus, sim, com maiúsculo, se referindo ao deus cristão onipotente e tals. Zeístas não se ofendam, eu prometo que sempre escreverei Zeus quando for o caso.

Enfim, eu tenho uma relação conturbada e estranha com Deus. Entendam o background: eu fui evangélico por uns 16 anos, mais ou menos. Daqueles de berço, que acompanhou a família por obrigação e, se acostumando à isso, pensou que era o normal a fazer. Nesses anos todos, eu nunca conseguia entender esse "amor" indescritível à uma força maior que eu. E acho que isso era bem normal para alguém que não escolheu ser, de fato, evangélico. Mas eu me esforçava, isso você pode ter certeza. Na época áurea da minha religião, eu já tinha feito jejum, vigílias, retiros espirituais, estudos bíblicos. Eu até cheguei a pregar (quer dizer, eu fui o pastor de um culto) umas duas vezes. E tudo isso porque eu queria realmente entender e compartilhar daquela devoção que todos ao meu redor tinham.

Quando eu finalmente estava tendo uma pequena visão do que era aquilo, as aulas de filosofia, aliadas aos amigos e, principalmente, à uma namorada não evangélica, me tiraram desse caminho. Entenda que, por mais que falando assim pareça que eles fizeram algo errado, eu preciso admitir que estava indo para uma direção e que, com muita influência (que pode ser entendido como crescimento de opinião), eu saí disso.

E foi tão fácil que eu nem acreditei. Da noite pro dia, com algumas horas pensando e repensando em tudo o que eu tinha naquele momento, eu me encontrei sem conseguir mais acreditar naquela religião. Mesmo porquê eu via muitas pessoas dessa mesma doutrina alegando que eu devia esperar meu casamento para consumá-lo (no dicionário babaca: "comer umas meninas"). Sendo que os mesmos que falavam isso não praticavam seus próprios conselhos. Era visível que todos ali tinham meio que adaptado os ensinamentos da Bíblia aos seus próprios gostos. Ou seja, alguns versículos, aqueles que afetavam o SEXO na vida da pessoa, eram convenientemente ignorados ou tinham "interpretações diferentes".

Foi mais ou menos aí que eu cheguei à conclusão que se alguém pode ler aquela merda de livro antigo e entender que se deve comer pão e vinho todo começo de mês, eu posso fazer o mesmo e entender que devo oferecer 5 bisnagas com requeijão toda terça-feira na frente da televisão que esteja transmitindo "Thomas e seus amigos".

Mas esse não é o caso. Eu queria falar, na verdade, de como ficou essa tal relação com Deus depois disso tudo. Afinal, TODA NOITE eu orava antes de dormir, pedindo perdões por algumas coisas e agradecendo outras. Bem, isso não existe mais, obviamente. Mas eu ainda acredito em uma força maior, você veja só.

Diferente do que é comum entre os "desviados do caminho de Deus", eu não virei ateu, e nem pseudo-evangélico (A.PIOR.CORJA.DE.TODAS). Eu me encontrei sendo um agnóstico, aquele que não pode provar e nem desprovar a existência de Deus, então segue com sua vida assistindo Yu-Gi-Oh, transando e adicionando as palavras "Belzebub", "Baal" e "Lúcifer" ao seu vocabulário comum.

Claro que, como todo bom Adler, eu acabo me desviando até mesmo do agnosticismo. Um pouco, mas me desvio. Acontece que, ainda que eu não possa provar a existência de Deus e esteja para sempre em uma posição neutra, eu tenho alguma certeza de que algo maior existe, de que nada aqui foi por coincidência. Como eu mesmo falava para meus amigos e familiares na época em que saí da Igreja, acredito que Deus pode ser Buddha, pode ser Zeus, pode ser Ganesha (que é um deus muito mais maneiro). Quer dizer, por que os evangélicos estão certos afinal? Eles tem tanta base teológica, argumentos e deuses invisíveis quanto qualquer outra religião. Sabe porque eu era evangélico? Simplesmente por culpa de geografia e família. Mexa nesses dois atributos e eu poderia ser um monge no Tibet. Um hindu na Índia. Um terrorista da Al Qaeda no Afeganistão. OU SEJA, realmente devemos ter um ser maior acima de nós, e a presença dele que é sentida por todo o mundo é o que criou tanta religião diferente. Não nego que essa força esteja lá, em seu lugar, vendo tudo. Mas o que essa Terra importa para ele, afinal?

É essa a minha conclusão. Ok, talvez eu seja filho de uma criação mítica e completamente "mágica", mas e daí? Eu posso ser feliz, triste, doente, gay, vagabundo, ladrão, assassino, pedófilo, eunuco, professor, fanático, cuzão, gay de novo pra criar polêmica, pederasta, gênio, sábio, Ricardão do Teste de Fidelidade, Pedro Bial, rico, fudido, ESTANDO NA IGREJA OU NÃO. Ou seja, essa força super poderosa está CAGANDO completamente para a minha vida, tanto quanto eu estou para a sua. E por que eu seria importante? A trojoba gigantesca que é o Universo só nos prova que somos areia de uma praia imensa. Mais uma bolotinha de vida no meio disso tudo. Foda-se eu estar em cima de um monte às 4:00 da manhã pedindo para que a quantidade de pelos de gato em casa se transforme em dinheiro, ninguém, absolutamente NINGUÉM vai mudar isso a não ser eu (e talvez uma herança antiga).


É isso. Espero não ter me alongado muito, estou aberto à qualquer discussão teológica que joguem aí nos comentários ;)

(Menos umbanda, essa me dá medo >_>)

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