segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

OFF Zueira: É proibido ficar na sua

Olá McPatota feliz, tudo bem?

Vim hoje já alimentado e energizado para vomitar minhas opiniões em vossos rostos. E que essa opinião sirva de denúncia e desabafo contra uma parada bem chata: pessoas.
E qual é o grande assunto, então?

Bem, eu não sei vocês, mas eu convivo muito em um ambiente com pessoas que não são minhas amigas ou parentes. Normalmente, se tu também recebe dinheiro para ficar neste ambiente, nós chamamos isso de TRABALHO.

Não é todo trabalho que te faz conviver com os outros, mas a maioria não foge disso. São seres humanos que tu é obrigado monetariamente à ver, ouvir e conviver. Acho que nem preciso explicar tanto não é?

Pois então, eu convivo em um ambiente de trabalho. 12 horas por dia, pra ser exato. 5 dias da semana, pra ser mais enfático. 20-22 dias por mês, pra ser chato e enrolador.


Nessa convivência maluca, cabe a você decidir se terá amigos ou não. Se vai se enturmar com a galera ou se isolar embaixo do computador. Acho que ambas as opções são válidas, então não te julgarei por esse comportamento.

E agora eu quero que vocês imaginem essa situação e me respondam mentalmente se já não aconteceu convosco: festinha de aniversário de alguém desse ambiente. Todos ajudaram com um valor (você, por pressão, também). Temos comes e bebes à vontade, e um monte de funcionário reunido. Todos se conhecem, tem no mínimo um ou dois anos inteiros de convívio. Você, no entanto, é tão fresco e novo quanto uma fimose infantil. Enquanto essa turma do barulho ri com suas histórias em meio ao gergelim do lanche de metro (sempre de um sabor bosta) que comparam, tu acaba encolhido pela inferioridade de sua experiência ali dentro. Não deu tempo nem de lembrar o nome da gostosa do outro setor. E aí, nisso tudo, você ganha, com mérito e todas as honras, a alcunha/medalha de "quietão da área". Te elegem o patriarca do silêncio, a polícia montada da economia de cordas vocais.


POZÉ amigs, tu passa por tudo isso. De repente, você, que estava no seu canto tentando engolir a coxinha fria e imaginando o quão fofinho seria uma guerra entre ursinhos de pelúcia e frutas, é tido como uma pessoa ruim. E não quero dizer RUIM no sentido que eles vão pensar que tu come crianças. Não. É um ruim mais leve, do tipo "esse cara podia conversar mais, que cara esquisito"

Agora, o reclame do plimplim: Por que em nome da jibóia eu tenho que ser o João Kléber nessas festinhas? Eu fico puto com esse "preconceito" com quem quer simplesmente ficar na sua, comer o que der e ir embora. Eu sou um pouco desse cara, pois apesar de realmente não me importar (ou seja, dar bom dia e puxar conversa) com a maioria dos meus colegas, eu nunca fico quieto caso falem comigo. Eu sempre respondo e tento deixar fluir as conversas que as outras pessoas iniciam comigo. PORÉM, não quero chegar aqui as 7 da manhã com os olhos empedrados e começar a debater sexo tântrico na frente da impressora, ou na máquina de café.

E você (provavelmente o Vitones, ele ama discordar dos meus OFF Zueiras <3) pode e talvez irá falar: "Para de ser chato, fale mais com as pessoas, deixe de ser tão quieto, elas podem ser bem legais"

AND eu irei lhe rebater que sim, elas podem ser legais quando se conversa, MAS NA EVENTUALIDADE de você, sei lá, estar realmente nem um pouco a fim de bater papo naquele dia, pode apostar que o comentário dessa mesma galera será "Nossa, que cara mais chato/anti-social/qualquer adjetivo aleatório que esses seres consigam pensar". É tiro e queda.


AFINAL, qual é o problema de estar na sua? Não concorda que as únicas pessoas que vão lhe magoar são justamente os que te conhecem e são próximos? Não tem como o lixeiro da minha rua me deixar triste (na verdade ele pode jogar chorume em mim, eu não ficaria feliz), pois ele é na dele e eu na minha. Não se pode apedrejar ou crucificar alguém que é quieto em ambientes mais regrados (trabalho, clube, academia, igreja) pois aquele cara está lhe fazendo o grande favor de não apresentar NENHUM risco de te magoar algum dia.

Ao contrário do que a chamada de fim de ano da Globo canta, as pessoas, em plural, NÃO SE GOSTAM. No máximo, as pessoas se consideram neutras, e só começam a gostar uma da outra normalmente quando batem mais papo, se conhecem melhor. Levando em consideração que não conheço MESMO a maioria das pessoas do meu trabalho, é mais do que normal eu ser neutro com elas, e com essa neutralidade vem a falta de vontade de interagir.

Não me entendam mal, eu não acho que devemos nos isolar da vida e de todos. Eu sei que é preciso arriscar e deixar de ser quieto para, quem sabe, ganhar amizades novas e interessantes, nunca se sabe o que poderá vir daquela pessoa (lembram?). O que eu sou contra é esse tipo de brincadeira e comentários com quem é quieto. Essa visão de que alguém está errado em gostar de ser sozinho, gostar de passar tempos e tempos quieto na sua. Todos temos esses momentos, e devemos MESMO tê-los. É uma grande pausa na vida para conversarmos com nossas próprias ideias. Você não sabe o que aquele cara tão quieto faz em casa, como ele é com pessoas com quem tem intimidade, se tem algum trauma, se por acaso odeia o trabalho que tem naquele momento.

Enfim, deixem as pessoas quietinhas em paz, elas só querem curtir o prazer de pensar e filosofar. Elas deviam estar sempre quietas? Não, mas não é nosso trabalho BULLINAR aquele ser, talvez se você passasse menos tempo comparando o cara à um autista psicopata e mais tempo puxando assunto e deixando-o confortável para um diálogo, eventualmente aquela pessoa deixaria de ser fechada.

É isso.

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