terça-feira, 26 de novembro de 2013

Papinho: Vamo fala de amô

Yo le i ho, sim, aquele grito de pessoas das montanhas(?)

Como vai compadre? Tudo bene? Curtiu minhas referências internacionais? Bom saber.

De qualquer forma, este é mais um daqueles posts que, assim como no amor e na guerra, tudo pode acontecer. Tudo mesmo. Por exemplo, eu posso colocar uma imagem do Katinguelê no post se eu quiser, e olha que não tem nada a ver com a porra do assunto.


Because yes


Enfim né, deixa eu relatar meu conto, ele envolve bastante perícia policial e leitura labial, então senta aí.

Certo dia da semana passada, e eu não preciso me lembrar qual, eu estava fazendo meu trajeto rotineiro de volta para minha casa. Por motivos desconhecidos para o meu bolso, meu Vale-Transporte já estava só na miguela (BRAND NEW WORD ♫), pedindo esmola na frente de puteiro. Então, esperto como o homem que sou, cheguei a conclusão de que precisaria recarregar o meu querido cartão.

Não sou modesto, admito. Quando quero ouvir música, vou até um concerto. Quando quero me banhar, passo em Ilha Bela para um mergulho. Quando quero comer, peço Friboi. Enfim, eu sou um duque. Sendo assim, achei justo me dar o direito de ter CINQUENTA REAIS BRASILEIROS carregados em meu humilde Bilhete Único. Afinal, ainda faltava mais metade do mês para usá-lo. Ok, então parti eu e minha onça pintada até a maquininha de auto-atendimento. Acontece que, na estação onde me encontrava, aquela mesma máquina sempre apresentava problemas para carregar, o que me irritava. Levando em consideração que estava para me encontrar com minha namorada, queria agilidade, então  fui para o guichê de recarga. Só uma pessoa trabalhava lá dentro: era um rapaz bem...RAPAZ, não consigo e nem quero descrever muito ele, logo vocês sacam o porquê. Enfim, só tinha ele para me atender, então assim foi.

Logo que entreguei meu cartão de plástico, ele perguntou se era estudante, afinal, eu tenho este rosto lindo de um bebê. Ok, na verdade é porque estava estampado em letras garrafais no cartão "ESTUDANTE", mas gosto de pensar que minhas feições babalisticas ajudaram na conclusão do moço. Após efetuada a recarga, percebi que, ao invés de me entregar meu VT junto daquele recibo amarelo, o atendente sacou uma caneta de seu bolso like a The Sims, e escreveu algo naquele comprovante de recarga. Na mesma hora, já saquei: Eu e toda minha riqueza onça-pintástica fomos demais para o sistema, que, deparado com uma quantia tão grande de GRANA, acabou imprimindo o recibo antes da hora. Quer dizer, minha pintada fez a máquina ejacular precocemente, sacaram?

Pois é, saí de lá orgulhoso de meu feitio. Mal olhei para a criatura desalmada que me devolveu o papel e me encaminhei em direção à catraca, para depois me aninhar no colinho de Momô. Por curiosidade, resolvi ver o estrago que eu tinha feito naquela pobre máquina impressora. Olhei meu recibo e me deparei com a escritura à caneta.

E

Bem

É

Eu não tava entendendo muito bem o quê estava escrito.

É. Hm

Tava meio borrado sabe?

Eu virei o recibo de ponta cabeça, olhei contra a luz, apertei os olhos.


A minha mente, infelizmente muito sagaz, já tinha identificado o conteúdo da mensagem, porém, meu coração peludo se recusava a outorgar aquilo. Em meu caminho até minha companheira, fui tentando compreender biblicamente o que poderia querer dizer aquilo. Tipo, devia ter alguma língua, alguma tipografia, alguma fonte no Word que explicasse o porquê aquela mensagem parecia aquela mensagem.

Somente quando alcancei minha ~garota~ e mostrei a prova A para ela que, em meio à vergonha de um rato pego em flagrante comendo sexualmente um pingente do Mickey Mouse, eu tive que aceitar aquilo.


Com caneta azul, escrito em letra de mão, adornado por um coração, estava escrito: "Com amor"


Sim, você vai precisar virar a cabeça <3
O meu mundo, assim como o coração que o nosso querido Elvis Presley desenhou no meu recibo aí em cima, estava de cabeça para baixo. Como é que eu, em meu humilde plano astral, esperaria uma dedicatória de amor vinda de um ATENDENTE DE GUICHÊ DE RECARGA. Assim como no Clube da Luta, minha mente foi revivendo aquele momento, interligando os fatos, entendendo porquê o rapaz usava camiseta rosa-choque, o porquê dele ter cabelo comprido, o porquê dele ler meu blog. Ou seja, uma tremenda bichona.

Ok, essa ofensa foi gratuita, de brinde, finge que é um Rock Animal da Recreio e guarda na gaveta.

De qualquer forma, eu passei dias sem dormir analisando minuciosamente aquela prova de amor. E, depois de ficar nervoso com tamanha ousadia, me peguei pensando:

"Afinal, o que raios fez aquele cara, em 5 segundos de atendimento, me amar?"

Ok, a resposta óbvia é que ele me achou bem bonito. NO ENTANTO MEU CARO HOLMES, eu percebi que ele mal me olhou no atendimento. Quer dizer, ele nem piscou pra mim, nem fez beicinho, nem porra nenhuma. Foi um atendimento bem normal e simples, como eu estava esperando, por isso estranhei tanto esse telegrama do Gugu aleatório.


Enfim, gosto de pensar que ele, na verdade, estava prestes a se suicidar. Levando aquela vida de merda todo dia, carregando 10 reais com moedas, vendo pessoas vindo lhe perguntar pra onde ficava a Sé, solitário naquela cabine de aço, enjaulado como um Jean Willys distorcido, onde ninguém vota pra ele ganhar 1 milhão. E aí, do nada, ele resolve se matar, mas não sem antes entregar tudo aquilo que tinha lhe restado no espírito para alguém aleatório: o amor. E assim, passando a tocha da afeição para a minha pessoa, ele se viu pronto para partir dessa para melhor. Foi para casa, esperou o domingo chegar e, quando eram exatamente 14:00 da tarde, colocou na Globo e assistiu Esquenta, assim dando fim àquela vida tão trágica.

Tanto é que nunca mais vi o cara ali no guichê (Quer dizer, não é como se eu estivesse procurando ele...baka ><).

É isso. Analisem aí esse pergaminho do afeto e me digam se está realmente escrito COM AMOR, por mais que nem todos os Jeovás do Multiverso consigam me convencer do contrário.

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