segunda-feira, 11 de novembro de 2013

OFF Zueira: Saudades de chorar

Você chora?

A pergunta parece óbvia demais, mas, se me perguntassem isso, eu diria que não. E não por orgulho ou vergonha, mas simplesmente porque é a verdade. Eu não choro.


Quer dizer, em um bom tempo. Lembro que a última vez deve ter sido com a morte de algum gato da rua do qual minha mãe (e consequentemente eu) cuidava, alimentava, brincava. Depois disso, não importasse a situação, eu simplesmente não conseguia chorar.


Pior do que isso: era muito mais fácil eu rir em situações que pediam por lágrimas. E tudo natural, de uma forma que infelizmente eu não podia controlar. E não pense que eu gostava disso não. Me sentia bem frio e ruim por não conseguir ser tocado, não ficar sensível, não parecer vivo. Porque quem não chora realmente passa a sensação de que não vive, de que não é alguém normal. Por mais que choro seja aquela parada chata, as vezes nojenta, momento que menos desejamos na vida, eu sempre desejei me lembrar como era não controlar a fala, sentir o nó da garganta, sentir o rosto se contorcer dentro de si mesmo, como se nossa vergonha/tristeza fosse engolir nossa face em lágrimas e soluços.

Uma descrição bem feita, não é? Isso se deve, é claro, ao fato de, depois de anos nessa seca, ontem eu ter chorado, e bastante.

Por motivos X, eu fiquei bem irritado, nervoso, triste, chateado, quebrado. E acho que é nesse ponto que, pelo menos o Adler, chega a chorar: quando ele é QUEBRADO. Sua força, seu orgulho, seus pensamentos, sua filosofia, sua alegria, sua saudade. Quando tudo isso consegue ser rompido por algum acontecimento, imagino que é quando eu me acabo e não me controlo.

Engraçado notar que eu, sendo o bom analista que sou, me analisava enquanto percebia que um choro ia se aproximando. Aconteceu enquanto eu falava algo, então eu pude perceber que conforme as palavras estavam saindo mais desafinadas que o normal, meu rosto parecia ter uns espasmos esquisitos, uma energia passando através da cara que eu não estava acreditando: "Nossa, minha fala tá engraçada, parece que vou chorar. Nossa, agora eu dei uma pausa para trocar de frases, isso é típico de quem chora. Meu deus, meu rosto tá se fechando ou é impressão minha? Oh....é, eu estou chorando, vou abaixar o rosto. Chega"

Não sei se foi pelo fato de eu não ter almoçado, estar um calor infernal e eu estar bem nervoso, mas eu fiquei muito tonto com esse choro. Minha mão direita automaticamente começou a formigar bastante. Fui tomar um banho pra melhorar e fiquei com falta de ar, tonto. O corpo tava pesado e sem controle, tive que pausar a ducha antes do esperado. Fui cambaleando para o quarto, onde sentei e esperei tudo se assentar. O calor e minha vida.

Chorei mais um pouco depois, minha mãe estava insistindo com seu discurso e sua preocupação. Eu fique tão sensível, tão traumatizado que quase chorei só porque meu gato não quis pular no meu colo. Foi foda.

Mas tudo isso, todo esse testemunho só serve pra eu lhes dizer que, acreditem, mas eu amei ter chorado. Estou até com saudades do momento. Ele fica se repetindo na minha cabeça várias e várias vezes, me lembrando o quão humano eu sou. As circunstâncias não foram as melhores, e acho que pra chorar elas nunca são, mas marcou meu ano ter chorado novamente. E olha que foi choro de bebê, cheio de baba e ranho.

Então pergunto a você: Faz tempo que chorou? Tá com saudades de se sentir vivo e vencível?

Boa semana, e te desejo uma gostosa chorada :)

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