terça-feira, 29 de outubro de 2013

OFF ZUEIRA: Cultura Estrangeira x Cultura Brasileira

Bom dia/tarde/noite meu querido leitor. Vamos começar essa terça-feira compensando a falta do OFF ZUEIRA ontem, hoje com um tema que to ansioso para falar já faz tempo.

E para quem leu o título, já deve imaginar que estou falando de pessoas que defendem o amor à cultura brasileira. Eles que defendem o amor pela nossa pátria, pelo samba-raiz, por Caetano Veloso, por Vinícius de Moraes, por novelas, por Carnaval.

É, eu vim falar de como acho tudo isso um saco.




Vamos lá. O embate principal de ideias aqui é: porquê eu, Adler, um brasileiro, amo tanto a cultura estrangeira e esqueço da cultura de meu país?

Posso apontar uma série de motivos, mas quero primeiro indagar. Porquê, agora invertendo a pergunta, eu tenho que gostar ou incentivar a cultura brasileira?

Acontece que, vocês vejam só, eu não recebi nenhum estímulo SIGNIFICANTE em minha vida que me fizesse preferir Gilberto Gil à James Morrison, por exemplo. Na minha infância, apesar de eu curtir bastante Sítio do Pica-pau Amarelo, eu recebia uma cagalhada de desenhos americanos/japoneses que acabavam por me fazer esquecer o que a dona Emília tinha aprontado naquele dia. E isso se agravou conforme o tempo passava. Se na minha infância a única coisa que me chamava a atenção eram os extintos mas eternamente maravilhosos Sítio e Castelo Rá-tim-bum, imagina quando eu era adolescente? A programação brasileira para crianças até que consegue se salvar algumas vezes, mas depois dos 14 anos não existe nada 100% brazuka que consiga me chamar a atenção, me mostrar algo maneiro, algo com que eu me identifique.


Piora na música. Eu não gosto e não vou gostar de Caetano Veloso, e não importa o quanto tentem me empurrar isso. O problema não está só na música dele, mas na pessoa também. Eu não tenho a idade dele, nem vivi o que aconteceu com ele. Isso não é o fator determinante para minha repulsa, mas, junto com um estilo de música que pouco me agrada, acaba gerando um maior distanciamento. Não tentem dizer que eu rejeito a música brasileira, porque, por outro lado, gosto bastante de Skank, Jota Quest, Raimundos, Charlie Brown. Tirando os Raimundinhos, você pode perceber que até essas bandas que citei tem títulos estrangeiros.

E afinal, qual o problema de eu preferir Japão ao invés desse país? Vai me falar que eu deveria ser grato pelo chão e pela vida que o Brasil me fornece, mas isso pouco importa, eu teria isso se tivesse nascido no Japão, na Alemanha, até mesmo em Zimbábue. CHÃO e VIDA eu sempre terei, não importa onde eu nasça, então não tem porque eu ser grato à esse país por NADA. Sou grato à meus pais que trabalharam pra me criar, aos meus professores que me ensinaram que o mundo está aí para eu conquistar, à meus amigos que me apoiam e me dão a mão quando eu preciso.

Quando eu era criança, uns 10 anos, era sábado de noite e eu estava à procura de algo para fazer, algo que me encantasse naquela noite, era Inuyasha que vinha me socorrer. Claro, logo após a Praça é Nossa. Enquanto um me fazia rir, o outro me encantava. São dois sentimentos nobres, e nenhum deles é maior que o outro. Assim, tanto faz, na verdade, se eu sou BRAZUKA ou FANBOY, isso não vai definir meu caráter ou meu futuro.

Acho que já chega desse moralismo de defender o Brasil com unhas e dentes. Quanto mais nós nos apegamos à rótulos sociais (cor, nacionalidade, religião, cultura), mais nós nos distanciamos do que fomos feitos para ser: seres humanos. No fim, são essas diferenças que nós mesmos criamos que nos impedem de viver em paz. Então da próxima vez que vier falar que eu tenho que ler Dom Casmurro ao invés de Gantz, tente lembrar que tudo tem o seu valor, e não são os artistas do Brasil, em específico, que vão mudar minha vida.

Eu amo minha cidade, de coração, mas quero acabar a minha vida em algum outro lugar. Porquê? Pra lembrar que, quando eu nasci, o "Destino" me deu o mundo pra explorar, e não só esse parque de edifícios. Quando a vida me deu coração, foi para ser tocado por qualquer um que cantasse/interpretasse/escrevesse com paixão, e não só por Maria Bethânia. Pra lembrar que não importa se seja do alto de um edifício na Paulista ou do alto de um templo japonês, perceber que a vida é magnífica, assim como essa Terra, sempre será uma experiência incrível.

Então fiquem com esse pensamento e vamos desfrutar do que a vida nos der, seja um gibi ou uma HQ.

Até :)

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