quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Analisando: That Note

Oulá.

Neste post mais certinho, vou trazer para vocês meus relatos acerca de Death Note, mangá que eu acabei de ler pela segunda vez hoje. Acho que certas obras merecem um destaque, merecem uma recomendação. Não recomendarei para vocês pois imagino que ele seja famoso, e o foco do post não é esse, mas se nunca leu, não perca mais segundos de vida.

Bem, o que eu farei é trazer meus pontos de análise desta obra. Irei dividir em diversos momentos e aspectos do mangá que quero abordar, mas já falo que não é uma análise completa, mas sim uma análise dos fatos e opiniões que eu alcancei.

E AVISO, MESMO QUE SEJA ÓBVIO, QUE TEM SPOILER NÉ.





O mangá mais ocidental do mundo.


Atente-se para a imagem acima. Não parece um cartaz de filme policial antigo? Pois é isso que o mangá é.
O único fator que faz desta obra um MANGÁ é seu estilo de leitura. Em nenhum momento desta história nós enxergamos um conto tipicamente japonês.

E isso está espalhado por todas as páginas. Não temos praticamente nenhum traço específico do Japão, tirando talvez a escolaridade de Raito, que é aquela típica história de vestibular no Japão ser praticamente uma prova da sua vida, ou a irmã do mesmo no primeiro arco do mangá, que usa de termos, apelidos e jeitos típicos da irmã mais nova japonesa. O conto aqui é um simples drama/suspense policial. Não vemos, você veja só, NENHUM ALIMENTO TÍPICO DO JAPÃO. Isso é quase impossível em um mangá, ainda mais um da Shounen Jump. É fácil contar quantos bolinhos de arroz aparecem em Dragon Ball, Pokémon; o lámen do Naruto. Saindo da culinária, temos os trajes de shinigamis em Bleach, os alívios cômicos clássicos de mangás em Yuyu Hakusho.

Não temos aqui nenhum romance mela-cueca clichê, apesar das investidas da personagem Misa. Falando nela, talvez vocês a enxerguem como um grande CLICHÊZÃO, seja em seu jeito ou em seus trajes. Mas vale atentar aqui que ela é a única personagem que se veste como uma otome (que termo de merda). E isso é justificado. Suas roupas exageradas e seu jeito japonês não estão ali de graça, para agradar o leitor. Tudo gira entorno de seu trauma, de sua devoção por Kira, de sua carreira como modelo, da imagem que ela precisa passar por ser um ícone.

Enfim, esta é uma obra ATEMPORAL. Ou seja, ela nunca vai envelhecer. Tanto é que eu li essa semana, uma década depois de sua publicação original, e a história se mantém atual e viva. E isso, meus amigos, é um traço de uma obra ETERNA.
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O tema: Perseguição policial através de embates intelectuais.



O plot que é visível para todos, desde o início, é esse: temos um serial-killer e um detetive, e toda a saga gira naquilo que acontece para se capturar esse assassino em série. A complicação desse tema, no entanto, é o fato do criminoso agir "mentalmente", o que torna isso uma caçada muito mais difícil. Isso, porém, contrasta (e falarei de contrastes lá na frente) com o detetive, que para todos é apenas uma letra.

Temos, então, um mangá que tem como alicerces os jogos mentais. A batalha pelas pistas. O embate intelectual entre duas ideias (Kira e L). Não existe quase nenhuma cena de ação na obra (claro, as poucas que existem acabam compensando essa falta), é tudo baseado nas estratégias usadas por ambos os protagonistas.

Isso deixa o mangá desinteressante? Em nenhum momento. O que ele pode não ter em cenas de luta, com certeza tem em diálogos épicos, debates, mentiras, discursos com subdiscursos embutidos dentro deles.

O quê para alguns é a grande chatice de Death Note, para seus fãs, é o fator que nos dá orgulho de amar essa série. É a diferenciação entre esta obra magnífica e outros mangás genéricos.
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O sub-tema: Dualidades.

Ah sim, o supra sumo (minha palavra favorita) de Death Note definitivamente é a dualidade colocada em TUDO que envolve a obra. Posso começar a viajar então? Se prepara.

Por baixo de todos esse pano policial/investigação, nós temos o conceito de que tudo aqui funciona com dualidades. Personagens chave tem, quase sempre, um oposto, seja em forma de ideia ou de outra pessoa. A obra já começa com a dualidade básica: Raito é o protagonista, ao mesmo tempo que é o vilão. Assim como L. É claro que muitas pessoas não conseguem assimilar a ideia de que não existe vilão neste mangá, então na maioria das vezes elas pendem à escolher um desses dois. E sempre que ela escolher um, o outro se transformará no vilão automaticamente.

O mesmo acontece com a missão de Kira: erradicar o mal da face da Terra é, ao mesmo tempo, um ato de justiça e injustiça. É uma ação boa e má. Traz benefícios e malefícios. Não tem como definir o plano de Raito como mal, nem como bom. Ele é os dois ao mesmo tempo. Ou você acha que o mundo piorou com o fim de seus maiores vilões? Tampouco melhorou, pois o extermínio de criminosos acarreta em medo, e quando um povo tem medo, seu líder pode fazer o que quiser, até se corromper.

Kira é um assassino mental. L é um detetive abstrato.






E não se limita à esses dois:

-Mello e Near. Mello não tem nenhum medo em fazer aquilo que julga necessário para que alcance seu objetivo. É ambicioso, invejoso, sem qualquer apego por nada. Near já é mais calmo, analítico, paciente, brilhante. Vê tudo como um grande jogo, e age como um exímio estrategista, um verdadeiro jogador. Falarei mais deles lá na frente.

-Ryuuk e Rem. O primeiro Shinigami é completamente egoísta, preguiçoso, interesseiro. Assim como suas roupas, sua personalidade é negra.
 Rem, no entanto, é apaixonada, esforçada, dedicada, cautelosa. Se importa completamente com sua companheira humana, Misa.

-Misa e Kiyomi. Sei que vocês vão achar bizarro, mas o ponto aqui é que, juntas, elas formam o que talvez seria a companheira ideal para Raito. O rapaz admirava a maturidade e bom-senso de Kiyomi, mas desejava a subversão e, por que não, a beleza de Misa. Mas, é claro, Raito não precisa de parceiras.
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O bônus: Legados


Um conceito muito legal da obra é o legado que se deixa para trás.

E isso acontece por um simples motivo: Kira e L são ideias. Elas não estão presas à uma pessoa, à um homem. Como ideias, elas são passadas para frente através daqueles que seguem os seus passos.

Isso acontece principalmente com L, que de uma forma muito simbólica, deixa para trás suas duas metades: Near e Mello. É como se, no capítulo de sua morte, L teria divido sua alma em duas, e não morrido de fato.

Esses dois são a melhor prova de que uma ideia não pode ser destruída. Lawliet, o rapaz quase que autista que encarnava a persona de L, era na verdade apenas parte de todo o mito que se criou em volta dessa simples letra. Quando este morreu, o símbolo (literalmente) que este usava foi passado para frente, para seus dois sucessores.

E o legal é ver como Near e Mello tem, cada um, traços típicos do detetive. 

Near traz o brilhantismo e os hábitos pouco sociais de L. É ele quem o sucede de fato, mas não completamente. Acontece que, ainda que Near fosse MAIS inteligente que seu antecessor, alguma coisa faltava nele que o impedia de pegar Kira. E é nisso que entra Mello.

O rapaz loiro traz a atitude, a coragem, a rebeldia de L. Ele é a ação, enquanto que Near é o pensamento. É lindo de se ver como a união improvisada de ambos, que sempre foram rivais, foi o suficiente para desmascarar Raito. É só quando Mello morre que Near, como se tivesse re-absorvido a metade que sempre lhe faltou, se transforma, de fato, na ideia completa de L. (Muitas dores de cabeça)


O mesmo acontece com Kira. A ideia de um justiceiro anônimo, de um assassino de assassinos se prolifera muito mais fácil do que seu antagonista. Diferente de L, o sucessor de Kira é praticamente um clone seu, contendo sua mesma inteligência e seus mesmos cuidados. Ele é capaz até de agir por contra própria, criando seus próprios planos.

Porém, este é um sucessor que não terminou sua jornada. Caso o plano de Raito tivesse dado certo, Mikami iria, eventualmente, se tornar o novo Kira. É bem capaz que depois de um tempo, Raito nem precisasse mais fazer nada. Pois, por ser uma ideia, Kira iria viver para sempre, se renovando à cada geração.
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Conclusão



Por fim, gostaria de ressalvar dois pontos que me decepcionaram um pouco.

Primeiro: Kira GANHOU esta batalha. O autor não teve coragem disso, mas é muito claro para todos que, ainda que Raito tivesse morrido, os danos que Kira havia causado ao mundo e à sociedade já ultrapassavam qualquer contra-medida. Qualquer morte dali para frente seria atribuída ao serial killer. Os crimes nunca mais ocorreriam. Levaria, pelo menos, mais um século para a situação se inverter. O que me chateou, então, é que após a morte de Light (mudei o nome pra não repetir), o autor inventa que a sociedade voltou ao que era. Simples assim. Após quase uma década de mudanças, presidentes assassinados, um genocídio talvez maior do que Hitler, a sociedade simplesmente se levanta, bate o pó da calça e volta a andar. O MEU final é o mundo se transformando, por fim, melhorando. Por quanto tempo? Não sei, mas com certeza não seriam dois anos que fariam a Terra voltar ao que era. Kira foi, talvez, o maior evento histórico da Idade Moderna. Mais do que a globalização. Mais do que a internet. O mundo não seria mais o mesmo COM CERTEZA.

Segundo: Após a morte de L, no volume 7, o mangá devia se voltar para seus dois novos protagonistas. Ainda que bacana, os volumes dali em diante pecaram em focar DEMAIS em Raito, sem um rival à altura agora. Para provar ainda mais o conceito de dualidade da obra, Tsugumi Ohba deveria ter se focado em Near e Mello. Este último, coitado, é completamente mal utilizado a partir de um volume pra frente. Não se sabe mais o que ele faz, o que ele pensa, o que ele planeja. Raito só funciona se estiver sobre pressão, em um legítimo jogo de gato e rato. Deveria ser Near e Mello que estrelariam a revista, com sua competição para ver quem pegaria Kira.
Não seria completamente inovador? Do meio do mangá para frente, a mesa é virada, e acompanhamos os frutos dos atos de Kira caçando-o. Não precisava fazer o Raito sumir, mas acho que tem muita cena desnecessária, como toda a enrolação com a Kiyomi.



Enfim, essas são minhas análises desta obra que, considero eu, um marco nos quadrinhos. Pra mim, isso aqui é nível O Cavaleiro das Trevas. Inclusive, tire 5 minutos de sua vida para comparar Death Note com Batman e SE ASSUSTE.

Enfim galera, obrigado pela atenção. Comentem aqui ou no Facebook o que concordam e discordam. Até uma próxima


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